tapada da ajuda. percurso 2.

Percorrido o perímetro da tapada, passei à exploração do seu percurso interior. Regresso a um passado que deixou excelentes testemunhos paisagísticos e arquitectónicos, os quais, infelizmente e salvo algumas excepções, mereciam ser tratados com mais dignidade. A bem do património, para benefício de todos.

Edifício principal, observatório astronómico de Lisboa, jardim da rainha e da parada, pavilhão de exposições, chalet, alameda das oliveiras, miradouro de Salazar, reserva botânica de zambujeiros, lagoa branca, geradora de electricidade dos paços reais, banco de Junot, auditório de pedra. A listagem de belas edificações e espaços verdes pelos quais passei neste segundo percurso na tapada da Ajuda.

O ponto de partida continua a ser o edifício principal, construído no princípio do século passado e projectado por Adães Bermudes. É desde 1910 a sede do ISA (Instituto Superior de Agronomia), e a sua semelhança com um mosteiro é por demais evidente, principalmente quando se observa o claustro. Contorno o edifício e prossigo paralelamente ao enorme terreno de 70 mil m2 denominado terra grande, uma amostra do Alentejo dourado bem no centro da capital e que se vê da ponte 25 de abril. No fim deste tomo o caminho pela direita e chego ao observatório astronómico nacional, o edifício mais antigo da tapada e da autoria do arquitecto francês Jean Colson, construído entre 1861 e 1867. A sua entrada é ladeada por dois seculares dragoeiros, espécie sobrevivente do período jurássico. Contorno esta bela estrutura (hoje responsável pela manutenção da hora legal em Portugal), passo pelo jardim da rainha e da parada e sigo em direcção ao pavilhão de exposições, um belíssimo edifício da autoria do arquitecto Luís Caetano Pedro d’Ávila e inaugurado a 4 de maio de 1884, aquando da realização da III exposição agrícola nacional. Um belo exemplo de arquitectura pavilhonar de ferro e vidro existente no país, recuperado em 1984 aquando da celebração do seu centenário. Apresenta semelhanças com os palácios de cristal do Porto e de Londres e foi inspirado no desaparecido palácio de Trocadero em Paris.

Logo a seguir ao pavilhão e do lado esquerdo estão a vacaria, a cocheira e a abegoaria, hoje edifícios destinados ao ensino. Uns metros adiante e do lado direito está o gracioso chalet da rainha D. Amélia, adstrito à secção de agricultura do ISA. No fim deste caminho viro à esquerda e começo a subir pela estrada que acompanha uma das extremidades da tapada, passando pelo auditório junto à lagoa branca e continuando até à alameda das oliveiras. Este bonito caminho com ar mediterrânico confina do lado direito com um bosque de zambujeiros e adernos, e do lado esquerdo com um pomar de nogueiras. Chegado à rotunda no cimo da alameda encontro o portão de acesso ao miradouro de Salazar, um belo local completamente votado ao abandono. Os bonitos azulejos brancos e azuis que o decoram vão sendo roubados por gente menos escrupulosa, contribuindo ainda mais para a sensação de desleixo de um local de onde se avista a cidade e o rio e, no horizonte, a longínqua Arrábida. Contíguo ao miradouro está um importantíssimo monumento vegetal, a reserva botânica de zambujeiros, uma espécie de oliveira brava que só existe neste local e na serra da Arrábida.

Passado o miradouro entro num trilho circular que percorre um montado de sobreiros e que leva até ao edifício da geradora de electricidade dos paços reais, local onde são leccionados temas ligados às máquinas agrícolas. De volta à rotunda e ao alcatrão, o percurso segue paralelo aos campos de jogos e reencontro locais já conhecidos, nomeadamente o banco de Junot.

No total percorri 6,5 km e fiz um percurso com duas características distintas mas que se complementam na perfeição: natureza e agronomia.

Características percurso – piso: misto; distância total: 6,5 km; retorno: não; água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 4; coordenadas gps do ponto inicial: n38º 43.661′, w9º 13.635′. altimetria do percurso: gráfico abaixo.

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