os campos de lisboa. 1.

campolide

” Terra de bom vinho – D. Afonso II já possuía aqui duas vinhas -, os seus domínios iam, na idade média, desde a actual freguesia de Campolide até Santos, passando por Campo de Ourique, Estrela, São Bento e Lapa. Com vestígios de ocupação humana desde a pré-história, este antigo campo agrícola começou a ser mais procurado para habitação quando se deu início à construção do Aqueduto das Águas Livres, no século XVIII, no reinado de D. João V. Quanto à razão do nome esta é desconhecida. Sabe-se, porém, que no tempo da tomada de Lisboa, no século XII, o cruzado Osberno já lhe chamava, conforme o que lhe soava ao ouvido, Campolet. “

jardim do aqueduto das águas livres. este pequeno espaço verde assinala o início do percurso, no local onde o aqueduto das águas livres, a maior obra de engenharia hidráulica construída em todo o mundo durante o século XVIII, atravessa, ao longo de 941 metros, o vale de alcântara, imponente nos seus 35 arcos (14 ogivais e 21 em volta perfeita) que se elevam a 65 metros de altura.

campo de ourique

” Deste campo partia o trigo para as padarias de Lisboa. Fazia parte da povoação de Campolide. Era um vasto planalto, uma seara imensa, muito antes de se pensar em construir até à zona da Rua Maria Pia, as antigas terras do Sabido. Daqui, partiram também os primeiros revolucionários republicanos que tomaram os quartéis na noite de 4 de outubro de 1910. A urbanização do bairro só começou a ser delineada em 1886, mas no século XVIII já existiam prédios ao longo da Rua de Campo de Ourique, denominada Rua dos Pousos, por ficar perto de uma quinta com esse nome. Nessa altura, era um sítio fora da cidade, de bons ares, um pouco mais repartido em quintas, um lugar ideal para o repouso e convalescença. Hoje, é um bairro dentro da capital e faz parte do património da língua portuguesa, por integrar a velha expressão ‘resvés campo de Ourique’, cuja origem é turva como a do nome do bairro ( Ourique, por fazer lembrar o campo, no Alentejo, onde Afonso Henriques venceu os muçulmanos e autoproclamou-se rei?). Há quem diga que a expressão se deve ao facto de o terramoto de 1755 ter destruído tudo até ali, daí se tornar sinónimo de ‘à justa’, ‘por pouco’, mas outros defendem que surgiu por se tratar de um planalto e servir de comparação com algo plano ou raso.”

chego ao segundo campo e ao jardim teófilo braga, também conhecido por jardim da parada. a sua construção foi iniciada já depois do bairro se encontrar parcialmente urbanizado e, com 0,5 ha, ocupa um quarteirão do mesmo. foi originalmente designado por jardim da parada, dado ser ali que, no início do século passado, se realizavam as paradas do regimento de infantaria 16, cujo quartel se situava nas proximidades. o seu ex-libris é a estátua de maria da fonte, da autoria do escultor costa mota e ali colocada pela câmara municipal em 1920.

campo das cebolas

” No dia 18 de junho, este espaço da cidade muito perto do Tejo ganhou mais uma atração. Para assinalar a passagem de um ano sobre a morte de Saramago e cumprir um desejo do escritor, foram aqui depositadas as suas cinzas, junto a uma oliveira trazida de Azinhaga do Ribatejo, terra natal do prémio Nobel. Permanecerá, assim, próximo da fundação com o seu nome, instalada na Casa dos Bicos, outra referência desta praça. O original edifício, que serviu, entre muitas outras funções, de sede à Associação do Comércio Marítimo da Índia, foi mandado construir em 1523, a cem metros do rio, por Brás de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque, aquando do seu inspirado regresso de uma viagem a Itália. E Campo das Cebolas porquê? Antes do terramoto de 1755, chamava-se Praça da Ribeira Velha, mas depois tomou o nome do produto que aqui era descarregado e armazenado em grande quantidade. “

terceiro campo e jardim com o mesmo nome. este diminuto espaço verde é apenas parte integrante do arranjo paisagístico do local, dado que as honras vão todas para a casa dos bicos. junto à oliveira e banco de jardim onde repousam as cinzas de josé saramago, está uma placa com a bonita frase “mas não subiu às estrelas, se à terra pertencia.”, do livro o memorial do convento.

(2/4)

Anúncios