os campos de lisboa. 2.

campo de santa clara

” Este é o seu nome desde 1294. Nessa altura, pouco havia por aqui, a não ser campo e o convento de freiras da Ordem de Santa Clara construído dois anos antes. Mais tarde, no século XVI, a filha do rei D. Manuel I, a infanta D. Maria, mandou ali construir umas casas para pernoitar quando visitava as irmãs clarissas, e assim terá despertado o interesse pela edificação na zona. O convento foi destruído pelo terramoto de 1755 e extinto em 1828, mas o topónimo prevaleceu. Melhor assim do que ficar conhecido por Campo da Forca, como durante alguns séculos (pelo menos até à centúria de Quinhentos) foi denominado por ser palco de condenações à morte. Este campo é ainda conhecido por albergar desde 1882, às terças e sábados, a Feira da Ladra. Entrando um pouco mais no passado, neste lugar hoje pertencente à freguesia de São Vicente de Fora assentou arraiais um dos grupos de cristãos que ajudaram D. Afonso Henriques a conquistar Lisboa em 1147. “

neste campo situa-se o jardim botto machado, 0,5 ha com uma soberba vista para o rio tejo e panteão nacional. é um espaço que remonta a 1862 e que se denominava jardim de santa clara, sendo que em 1938 tomou a actual designação em homenagem ao republicano fernão amaral de botto machado (1865-1924).

campo dos mártires da pátria

” O espetáculo começou ao meio-dia. Milhares de pessoas concentraram-se no campo que se chamava de Santana, desde 1755, oficialmente, já que na boca do povo era ainda o Campo do Curral, porque aqui se vendia gado, havendo até um matadouro que criava imensos problemas sanitários na zona. No dia 18 de outubro de 1817, a atração era outra e durou até às nove horas da noite. Durante todo esse tempo, ninguém arredou pé até ver o último dos 11 condenados à morte ficar pendurado na forca. Só não puderam assistir ao enforcamento do suposto cabecilha, o general Gomes Freire, que foi sacrificado nessa manhã, mas noutro campo, fora de Lisboa, no de Alqueidão, junto a São Julião da Barra. Tratava-se do grupo que foi acusado de conspiração a favor de um governo constitucional contra a regência inglesa que governava em nome do rei D. João VI, no Brasil desde que as tropas de Napoleão tinham invadido o reino. E por esta razão, em 1879, este campo mudou de nome para Mártires da Pátria. ” 

neste campo existe um dos jardins de lisboa que é também um local de culto. no jardim braamcamp freire está a estátua de josé tomás de sousa martins (1843-1897), reputado médico e cientista, famoso pela sua luta contra a tuberculose. mas sousa martins não foi apenas o nome de um médico, já que muitos o consideram um santo e dizem que opera milagres. amigo dos pobres, desamparados e doentes, sousa martins deu origem a um extraordinário culto em portugal, sendo que as suas estátuas em lisboa e na guarda são visitadas diariamente por devotos que ali depositam flores, objectos em cera e velas, pedindo graças e intervenções divinas.

o jardim remonta aos anos 30 do século passado, altura em que o estado adquiriu o espaço de 1,3 ha e o transferiu para a posse da autarquia, passando a denominar-se jardim braamcamp freire (1849-1929), em homenagem ao arqueólogo, historiador e político. onde já existiu uma praça de toiros, existem agora lagos, uma esplanada e belas espécies animais e vegetais, de que se destacam os galos e a secular “árvore dos namorados”.

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