os campos de lisboa. 3.

campo pequeno

” O cavaleiro crava o ferro no touro, mas este investe contra o cavalo. Fernando de Oliveira não consegue dominar o susto do ‘Azeitona’  e é lançado por cima da cabeça do animal. Ouvem-se gritos na praça, apela-se aos capotes. O homem está debaixo do cavalo, e o ‘Ferrador’ não desiste de investir. O ‘Azeitona’ debanda, corre desorientado pelo recinto. Fernando fica à mercê do ‘Ferrador’, que nenhum dos toureiros presentes consegue afugentar. E, quando conseguem, o cavaleiro já não dá acordo, tinha a base do crânio fraturada. Foi no dia 16 de maio de 1904, a morte do cavaleiro Fernando de Oliveira, a mais marcante desta arena. A história da praça de touros inaugurada em 1892, para substituir a do Campo dos Mártires da Pátria, desmantelada uns anos antes, não se pode desassociar da do largo, que sempre foi um espaço público integrado nos campos de Alvalade. Durantes anos, chamou-se Alvalade Pequeno a este terreiro fora da cidade, onde se faziam exercícios militares e feiras.”

chego ao jardim do marquês de marialva (d. pedro josé joaquim vito de meneses coutinho, 1774-1823, 8º conde de cantanhede, 6º marquês de marialva), um conjunto de quatro pequenos espaços verdes que emolduram um dos edifícios mais emblemáticos da capital, a monumental praça de toiros do campo pequeno. praça e jardim remontam a 1892 e ocupam 1 ha numa das zonas mais movimentadas da cidade.

campo grande

” Este lugar, hoje citadino, integrava-se nos campos de Alvalade (palavra de origem árabe que significa campos protegidos), que iam do Arco do Cego às Linhas de Torres. No século XIV, atravessou-o a rainha D. Isabel, para impedir uma batalha entre o seu marido, o rei D. Dinis, e o seu filho, o futuro Afonso IV. E aqui D. Sebastião passou revista às tropas antes de partir rumo a Alcácer Quibir para jamais voltar. No século XVI, encheu-se este sítio com fábricas de diversos produtos, da cerveja à seda, e deu-se-lhe grande importância ao escolhê-lo para a receção à rainha Catarina, que enviuvara do rei de Inglaterra e regressava ao seu reino natal. No século XVIII, depois de o terramoto transformar quase tudo em ruínas, começou a ser implantado o projeto de passeio público, levando ricos e nobres a construírem solares nestes arrabaldes da cidade e comerciantes a criarem lugares de diversão. Em 1935, passou a denominar-se Campo 28 de maio, para lembrar esse dia de 1926 em que a revolução militar implantou a ditadura. Quase 40 anos depois, outra revolução deitou abaixo o regime e devolveu-lhe o topónimo.”

por último o jardim do campo grande e o final do percurso. entro pelo topo sul e percorro a longa alameda de mais de 1 km, passando pelos locais mais emblemáticos. as origens deste local remontam ao século XVI, mas é no reinado de d. maria I (1734-1816) que se inicia a arborização dos terrenos. no topo norte d. joão I e d. afonso henriques fazem as honras deste jardim implantado numa área de 11 ha, que assistiu em 1869 ao início das escavações para o lago e que, em 1946, pelo traço do arquitecto keil do amaral, adquiriu a configuração actual. o campo grande foi, no decurso dos séc. XIX e XX, palco de vários acontecimentos militares, destacando-se as fortes lutas travadas, em outubro de 1833, entre as tropas de d. pedro e d. miguel. de todos os jardins por onde passei ao longo do percurso, este é o que necessita urgentemente de uma intervenção que lhe devolva a dignidade do passado, pois o descuido e o desleixo assentaram arraiais no local. à atenção do sr vereador do ambiente e dos espaços verdes da cml.

o percurso dos campos de lisboa ilustra bem a riqueza histórica e cultural existente nesta cidade, o muito por que passou, mas que a tudo tem estoicamente resistido. merecia mais respeito por parte daqueles que têm por obrigação cuidar dos seus destinos, bem como dos cidadãos que acolhe. todos hão-de passar, mas a cidade perdurará.

nos últimos meses tenho conhecido outra face de lisboa. pessoalmente considero-a uma cidade fascinante para correr, dado a variedade de opções e graus de dificuldade que proporciona, pelo que com um pouco de imaginação e paciência para estruturar percursos, as possibilidades são imensas.

ainda há muito para descobrir e contar sobre a “mui nobre e sempre leal cidade de lisboa”.

características percurso – piso: duro (alcatrão e calçada); distância total: 14,8 km; retorno: opcional; água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 2,5; coordenadas gps do ponto inicial: n38º 43.594′, w9º 09.980′.

distâncias parciais – campolide – campo de ourique: 1,8 km; co – campo das cebolas: 4,2 km; cc – campo de sta clara: 1,8 km; csc – campo dos mártires da pátria: 2,8 km; cmp – campo pequeno: 3 km; cp – campo grande: 1,2 km.

altimetria do percurso: gráfico abaixo.

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