jardim do campo grande.

outrora local de grande azáfama, desde o século XVI que convive com os lisboetas. com uma área de 11 ha, a actual configuração remonta ao início do século XIX, tendo sido no reinado de d. maria I (1734-1816) que se inicia a arborização do local com a plantação da primeira alameda. nessa época, este espaço tinha 1200 m de comprimentos e 200 m de largura, fazendo-se o acesso por grandes portões de ferro. além das alamedas arborizadas para a circulação das carruagens e cavaleiros, o parque também tinha uma parte ajardinada e outra de viveiros. o lago, um dos ex-libris do local, começou a ser escavado em 1869 e, aquando da sua conclusão, tornou-se na mais procurada atração por via dos barcos que permitiam um romântico passeio nas suas águas.

campo grande, circa 1950. arquivo municipal de lisboa.

os finais da década de 1930 assistem ao culminar de um acentuado estado de degradação do jardim, pelo que, na década seguinte, a câmara convida o arquitecto keil do amaral para a eleboração de um projecto de remodelação e ampliação do espaço, que decorreu entre 1944 e 1948, valorizando os pontos de interesse já existentes e introduzindo novos equipamentos e funções, destacando-se o restaurante. este pavilhão restaurante foi posteriormente demolido, dando lugar a um novo edifício de dois pisos que albergou 2 restaurantes de luxo, de seu nome restaurantes campo grande. em 1974, após o encerramento dos mesmos, o edifício foi remodelado para ser o centro comercial e cinema caleidoscópio, inaugurado a 1 de novembro desse ano. de edificação mais tardia, já nos anos 60, surge a piscina.

o topo norte marca o início do percurso à descoberta do perímetro do jardim do campo grande. fazem as honras do local d. afonso henriques e d. joão I, representados em duas enormes estátuas no local onde, anteriormente, esteve a do marechal carmona. opto por fazer o percurso descendente pelo lado direito, passando pelo caleidoscópio e o seu bonito mural em azulejo, e pelo lago cuja entrada está decorada pelas esculturas de dois potros em pedra. chegado à av. do brasil tenho que aguardar pelo sinal verde para peões, dado esta artéria cortar o jardim pelo meio, não tendo sido prevista nenhuma passagem superior ou inferior que permita a circulação sem interrupções. atravessada a avenida estou na parte sul e, pelo caminho, vou passando por mais algumas estátuas, nomeadamente a bizarra escultura da autoria do cartoonista sam, e os bustos do actor antónio pedro e luísa todi. chegado ao topo sul inverto o sentido para regressar ao ponto de partida, passando pelo complexo de piscinas, campos de ténis e, já no final, pelo busto de rafael bordalo pinheiro. está explorado o perímetro do jardim percorridos que foram 2,7 km.

na segunda incursão pelo jardim do campo grande percorro os caminhos interiores. a distância é semelhante à do perímetro e os pontos de interesse pelos quais passo são os mesmos, mudando apenas a perspectiva em que os observo. comprovo que os edifícios e estatuária estão bastante degradados, resultado do estado de abandono em que tudo se encontra.

desprezado pela cml e vandalizado pelos ignorantes que, de spray na mão, destroem impunemente o património que lhes foi legado pelas gerações que os precederam, pois sabem que as consequências são nenhumas. inúmeros locais históricos da cidade de lisboa são alvo desta praga, desde fachadas de edifícios até monumentos de diversa ordem. porém, para o jardim do campo grande parece haver alguma luz ao fundo do túnel. de acordo com notícias divulgadas em finais de 2010, o mesmo será alvo de uma profunda intervenção durante o corrente ano tendo em vista a sua requalificação, a qual prevê devolver ao local parte do esplendor de outrora. oxalá seja verdade e que a “mui nobre e sempre leal cidade de lisboa” se volte a orgulhar de um espaço cheio de história e tradição.

características do percurso – piso: duro (alcatrão); perímetro: 2,7 km; retorno: opcional (circular); água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 1; coordenadas gps do ponto inicial: n38º 45.539′, w9º 09.332′. altimetria do perímetro: gráfico abaixo.

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2 comments

  1. Olá Paulo,

    Encontrei o seu blogue. Sou eng na CML e gostava de lhe dar a informação que este jardim está em mutação…Por questões de segurança, vai terminar -se com o jardim tipo biscoito, podendo usufruir, espero que num futuro próximo, de um jardim com percursos lineares.

    Boas corridas!

    1. obrigado pela visita e pela informação.
      apraz-me muito saber da recuperação do jardim do campo grande, pelo vistos o placard que dava conta do facto era mesmo a sério. vou ficar atento ao desenrolar das obras e, aquando da conclusão das mesmas, irei percorrer os novos percursos de forma a divulgá-los pela comunidade corredora ( e não só ) da capital.
      cumprimentos.

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