rota dos chafarizes monumentais. parte 1.

perspectiva dos novos arcos d’água que atravessam o vale de alcântara. r. black e t. bowles, séc. XVIII. museu da cidade, lisboa.

a água teve um papel particularmente importante na história de lisboa. não só porque o rio tejo foi um motor fundamental na sua génese e crescimento, mas também porque este bem essencial modelou, em grande escala, a sua evolução, principalmente pela escassez que muitas vezes se fez sentir. daí a importância crucial que fontes e chafarizes desempenharam no desenvolvimento da cidade, dado que permitiram o acesso da população a água potável com um mínimo de condições de salubridade. o desempenho desta função vital tornou-os numa importante referência na imagem e identidade de lisboa.

na época de d. joão V, por altura ou pouco depois da construção do aqueduto das águas livres, cuja obra foi dada por completamente pronta apenas em 1799, existiam 64 chafarizes em lisboa, alguns propositadamente edificados para aproveitar o abastecimento de água à cidade que a monumental obra iria propiciar. são assim construídos os chafarizes das amoreiras, de entrecampos, das janelas verdes, da estrela, do rato, do carmo, da esperança, entre outros, que eram frequentados por lavadeiras, já que alguns possuíam tanques para lavagem de roupa e, sobretudo, pelos aguadeiros. estes tinham obrigatoriamente que inscrever-se e obter uma licença, que era passada pela câmara da cidade, sendo também compelidos a ostentar uma medalha ao peito com as armas do munícipio, os seus números e os da companhia e chafariz a que pertenciam. os aguadeiros eram ainda obrigados a auxiliar a população em caso de incêndio e deviam, por isso, ter em casa um barril cheio de água para acudir às emergências.

só em 1880 terá tido início o abastecimento urbano e domiciliário de água, já proveniente do rio alviela, após a construção da estação elevatória dos barbadinhos e do adutor do alviela, retirando importância e precipitando o declínio da rede de chafarizes existente. a mãe d’água, sita ao largo das amoreiras, cuja construção terá terminado em 1834, e o reservatório da patriarcal, junto ao jardim do príncipe real, concluído em 1864, propiciavam o necessário armazenamento da água transportado através do aqueduto das águas livres. na actualidade restam cerca de 40 chafarizes espalhados pela cidade, maioritariamente secos e a precisar urgentemente de restauro, dos quais vou dar a conhecer os 10 monumentais. são assim denominados devido ao significado histórico e arquitectónico que possuem, num percurso que começa algures no séc. XIII e se estende até meados do séc. XIX.

um belo conjunto que merece a maior atenção para não cair num irreversível esquecimento e abandono. vamos conhece-los?

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