rota dos chafarizes monumentais. parte 2.

chafariz da junqueira. acrílico sobre tela. jorge bandeira, lisboa.

a palavra chafariz deriva do termo árabe s´ahríj e aplica-se, tradicionalmente, aos equipamentos que disponibilizam a água potável no espaço público.

para iniciar este percurso dos chafarizes monumentais rumo à parte oriental da cidade, mais concretamente para alfama. começo pelo chafariz de santo estevão, um dos mais antigos de lisboa, integrado num muro de suporte à igreja com o mesmo nome. revestido de azulejos do século XVIII, vê-se representada nossa senhora do carmo e o menino, encimado na cúpula pela pomba do espírito santo.

percorro quatro centenas de metros e estou no segundo local, o chafariz d´el rei. situado às portas de alfama, este é o chafariz mais antigo da cidade, com origem no século XIII. o seu aspecto actual deve-se a obras no século XIX, passando a ter nove bicas. era considerado o chafariz mais importante de lisboa, tendo cada bica um destinatário: uma para homens brancos, outra para mulheres brancas, outra para escravas negras, outra para índias, etc. parte da decoração inclui medalhões representando as caravelas portuguesas, lembrando os tempos em que este chafariz as fornecia com água.

tomo a direcção do centro da cidade e, chegado a meio da rua da palma, estou no chafariz do intendente, também chamado de chafariz do desterro. em estilo neoclássico, foi concluído em 1824 e possuí duas bicas, sendo coroado por uma esfera armilar.

chafarizes de sto estevão, d´el rei e intendente.

as próximas paragens levam-me para zonas mais altas da cidade, sendo que a primeira é no chafariz do largo do rato. em estilo barroco, foi edificado em 1754 em pedra lióz, e foi o primeiro chafariz ligado ao aqueduto das águas livres. tinha três bicas, sendo que as do tanque da zona superior estavam destinadas para a população, e as do tanque inferior para os animais.

distando pouco mais de 1 km deste está o chafariz do século, outrora chamado chafariz da rua formosa. edificado numa parede em pedra em frente ao palácio pombal, mistura os estilos neo-clássico e rocaille ecomeçou a funcionar em 1762. ostenta três bicas em forma de carranca em bronze.

a fechar a parte mais central do percurso encontra-se o chafariz do carmo. em estilo pombalino, foi colocado em frente das ruínas do convento e apresenta um pórtico com quatro pilares adornados que cobrem uma pirâmide com quatro caras de golfinhos. o chafariz que se vê hoje substituiu um mais antigo que existiu até 1786.

chafarizes do rato, século e carmo.

deixo a parte alta da cidade e dirijo-me para a zona ocidental a caminho do chafariz da esperança. este chafariz barroco data de 1768 e foi dos primeiros a ser construído depois do grande terramoto. tem dois pisos, sendo a parte inferior com três bicas em forma de carrancas para os animais, e a parte superior (o acesso faz-se por degraus laterais) com outras duas em bronze para o povo. possui também um pórtico em estilo pombalino.

pela rua com o nome da próxima paragem sigo em direcção ao chafariz das janelas verdes. virado para uma das entradas do museu nacional de arte antiga, este chafariz barroco em mármore foi edificado em 1755. tem dois tanques para o uso de animais e um tanque circular no nível superior para o povo. no topo do pedestal encontra-se uma escultura representando vénus, ladeada por uma figura dum cupido e por um golfinho.

continuando o percurso chego ao chafariz da armada. construído em 1845, este chafariz não fica muito longe do palácio das necessidades e a sua função foi colmatar as sobras do chafariz das necessidades que servia deficientemente aquela zona. inclui dois tanques para gado e quatro bicas para o povo no nível superior, vendo-se no topo uma estátua de neptuno à qual falta o tridente de bronze. terá sido roubado?

chafarizes da esperança, janelas verdes e armada.

por fim e após percorrer a tirada mais longa deste percurso, termino no chafariz da junqueira. concluído em 1828 em estilo tardo-barroco, também é conhecido por chafariz da cordoaria. é coroado pelo brasão de portugal e pela esfera armilar, sendo que os belos azulejos que o decoram, produzidos pela fábrica viúva lamego, foram mais tarde adicionados.

chafariz da junqueira.

ao longo de 12 km pela história destes belos monumentos, fica a triste sensação de abandono a que grande parte deles está votado. sujos, vandalizados, graffitados, partidos, uns mais do que outros, mas o denominador comum que a todos se aplica é, numa palavra, desprezados. um povo que não preserva a memória do seu passado compromete o futuro. é urgente divulgar e cuidar do património da “mui bela e sempre leal cidade de lisboa”.

características do percurso – piso: duro (alcatrão e calçada); distância total: 12,1 km; retorno: não (linear); água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 2; coordenadas gps do ponto inicial e final: n38º 42.727′, w9º 07.653′ / n38º 41.885′, w9º 11.418′.

percurso e distâncias parciais: chafariz de santo estevão – r. dos remédios/largo do chafariz de dentro/r. do terreiro de trigo/r. do cais de santarém – chafariz d´el rei: 0,4 km; campo das cebolas/r. dos fanqueiros/praça da figueira/r. d. duarte/r. da palma – chafariz do intendente: 1,7 km; r. s. lázaro/largo s. domingos/r. das portas de s. antão/largo da anunciada/av. da liberdade/r. do salitre – chafariz do rato: 2,5 km; r. da escola politécnica/praça príncipe real/r. da palmeira/r. do século – chafariz do século: 1,1 km; trav. dos fiéis de deus/r. do diário de notícias/trav. do poço da cidade/r. da misericórdia/largo da trindade/r. nova da trindade/largo do carmo – chafariz do carmo: 1 km; largo do chiado/praça luís de camões/r. da horta seca/trav. do sequeiro/r. mar. saldanha/r. dr luís almeida e albuquerque/trav. santa catarina/r. do sol a santa catarina/r. joão brás/r. do poço dos negros/av. d. carlos I/r. da esperança – chafariz da esperança: 1,45 km; trav. das isabéis/r. de santos-o-velho/r. das janelas verdes – chafariz das janelas verdes: 0,85 km; r. presidente arriaga/calç. da pampulha/r. do sacramento a alcântara/praça da armada – chafariz da armada: 0,85 km; r. prior do crato/praça gen. domingos de oliveir/r. das fontainhas/r. rodrigues faria/r.1º de maio/r. da junqueira – chafariz da junqueira: 2,3 km. fotos: joão afonso.

altimetria do percurso: gráfico abaixo.

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