Os miradouros de Lisboa. Parte 3.

 
Deixo o parque para trás e sigo em direcção à Rua da Escola Politécnica numa das ligações mais longas deste percurso.
 
Chegado ao jardim França Borges, um bonito espaço verde bem inserido no miolo da cidade histórica, encontro o miradouro do Príncipe Real. Discretamente situado num dos cantos da praça, proporciona uma vista interessante sobre o casario do bairro, a qual se estende até à Basílica da Estrela.
 
É pela Rua D. Pedro V que prossigo até chegar a mais uma das maiores atracções turísticas de Lisboa, de onde tenho outra perspectiva de alguns dos locais anteriormente visitados.
 
Construído em 1830 e com uma peculiar configuração em dois patamares, o jardim António Nobre integra o miradouro de São Pedro de Alcântara. No século XIX  foi um dos espaços de passeio mais característicos da Lisboa romântica, tendo cabido ao patamar superior o papel de miradouro por excelência, proporcionando uma magnífica vista das colinas opostas e dos seus monumentos, bem como do vale onde está a Avenida da Liberdade, tudo representado num bonito leitor panorâmico em azulejos pintado por Fred Kradolferb, o primeiro a ser instalado nos miradouros da cidade. O patamar inferior convida a uma pausa nos seus bancos de jardim, entre roseiras e na companhia de 21 bustos de deuses e heróis da mitologia greco-romana e figuras da história de Portugal.
 
Uma vez mais para a parte baixa da cidade, a qual alcanço descendo a Calçada da Glória até desembocar na Praça dos Restauradores. Dali sigo até ao Rossio e percorro a parte inicial da Rua do Ouro até à Rua de Santa Justa.
 
Subindo no elevador estamos na plataforma que funciona como miradouro de Santa Justa, que do alto dos seus 45 metros nos regala o olhar com uma vista sublime da Baixa Pombalina. Inaugurado em 1902 e projectado por Raoul Mesnier du Ponsard, ilustre engenheiro portuense, destinava-se a fazer a ligação entre a baixa e o Largo do Carmo. Hoje é uma das atracções turísticas mais visitadas de Lisboa, verdadeiro símbolo turístico alfacinha.
 
O percurso decorre agora pela parte mais trendy da capital, seguindo pelo coração do Chiado até à Igreja das Chagas de Cristo, para recordar uma pequena história que privou a cidade e os seus habitantes de um miradouro.
 
Até finais do século XIX o adro desta igreja foi um esplêndido miradouro de Lisboa, tão frequentado como é hoje o miradouro da vizinha Santa Catarina. Diz-nos Júlio de Castilho na sua obra Lisboa Antiga (Bairro Alto) Volume II, página 237: ” Em 1898, se não me engano, consentiu a Câmara, por motivos decerto muito transcendentes, mas que ficam desconhecidos, um roubo artístico a um dos mais belos miradouros de Lisboa: permitir a elevação de um grande prédio no Pátio do Pimenta, por forma que interceptou a vista por sueste. Não creio que andasse bem, nem o proprietário pedindo a licença, nem a Câmara concedendo-a. Ao interesse financeiro de um influente político, o senhor Conselheiro José Dias Ferreira, submeteram-se considerações de ordem mais nobre: os direitos do Belo». A vereação que concedeu a licença praticou um sacrilégio, diz o autor de Lisboa Antiga:Enfim, se o público perdeu uma parte do espectáculo, o inquilino do dito proprietário ganhou-o “. O passado tal como no presente… descubra as diferenças!
 
Para chegar à próxima paragem, a penúltima, desço e subo a escadaria que faz a ligação à colina adjacente onde se encontra o miradouro mais multi cultural deste percurso.
 
Data de 1883 a criação do jardim do Alto de Santa Catarina, local onde se insere o miradouro de Santa Catarina. Voltado para o rio, oferece um belo panorama do porto de Lisboa, dos telhados da freguesia de São Paulo e, para ocidente, dos bairros da Lapa e da Madragoa, bem como da outra margem. É popularmente designado por miradouro do Adamastor, por causa do monumento dedicado à lendária figura descrita nos Lusíadas, colocado no centro do jardim desde 10 de junho de 1927.
 
 Tempo de rumar à última paragem do percurso. Desço para Santos e percorro a Rua das Janelas Verdes até chegar ao Palácio de Alvor (Museu Nacional de Arte Antiga) e ao jardim 9 de abril.
 
 Também conhecido por jardim da Albertas é nele que se situa o miradouro da Rocha do Conde de Óbidos, um dos dedicados ao porto de Lisboa e que oferece uma ampla vista sobre o mesmo, a ponte e o Tejo. É um tranquilo local de repouso que comunica com a Av. 24 de julho através de uma imponente escadaria dupla, ponto de chegada deste percurso e, simultaneamente, o de partida do próximo.
 
 Concluído este primeiro capítulo da visita aos miradouros de Lisboa, ocorre-me uma expressão que, reza a história, se dizia por esse mundo fora no tempo do rei Venturoso, D. Manuel I (1469-1521), 14º de Portugal: “ Quem não viu Lisboa, não viu coisa boa.”
 
 
 
 Características do percurso – piso: duro (alcatrão e calçada); distância: 20 km; retorno: sim (circular); água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 4; coordenadas gps do ponto inicial/final: n38º 44.342′, w9º 10.655′; altimetria: gráfico abaixo.
 
 
 
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