A explosão da corrida.

The running boom! Esta expressão anglo-saxónica ilustra na perfeição aquilo que foi o ano de 2012 no panorama das provas de estrada, com particular incidência na chamada grande Lisboa. Apesar de alguns cancelamentos pontuais (Fim da Europa, Metro) houve corridas para todos os gostos, nos mais diversos formatos e distâncias, muitas já veteranas e com créditos firmados, mas que tiveram de competir em datas e poder de atração com todas as novas que se querem afirmar. Ao advento da multiplicação da oferta não é alheia a chegada ao mercado de novas empresas (HMS Sports, Competitor Group), que trouxeram não só capacidade financeira (vulgo patrocínios), mas também conceitos organizativos adaptados à nova vaga de corredores (mais jovens e mais mulheres) que estão a surgir.

Também a comunicação social generalista não passou ao lado deste tema, tendo o mesmo sido alvo de particular destaque nos meses de setembro e outubro com reportagens de fundo nas revistas Única e Notícias Magazine, bem como das crónicas (ir)regulares de Ricardo M. Pereira na revista Sábado, além do excelente documentário emitido pela RTP1 sobre o ultra-corredor Carlos Sá e o universo das corridas de trail. De assinalar igualmente a inauguração de uma loja predominantemente dedicada à corrida, um segmento que irá crescer em volume e valor nos próximos anos, pelo que acredito ser um conceito que veio para ficar.

Apesar do crescimento verificado muitas destas provas irão ficar pelo caminho, essencialmente por dois factores: por um lado será difícil manter um calendário com provas a acontecer em simultâneo na mesma área geográfica (fragmenta o mercado potencial de participantes e reduz o tão necessário encaixe financeiro por via das taxas de inscrição) e, por outro, os custos de participação (taxa de inscrição e deslocações) têm vindo a subir de forma exponencial, o que limita o número de provas em que se participa. Também a crise que atravessamos reduziu drasticamente o número de patrocinadores (actuais e potenciais), que poderiam eleger a corrida como forma de promoção dos seus produtos e serviços.

Organizar provas está a tornar-se num negócio e a atrair empresas que têm nesta actividade (em parte ou no todo) a sua base de sustentação, pelo que a concorrência se prevê acesa entre estas e os clubes/colectividades/associações que, ao longo dos anos e mais ou menos dificuldades, nos têm proporcionado a organização das provas ditas “populares”, as quais têm sido o pilar fundamental do desenvolvimento da corrida amadora. Espero que o bom senso prevaleça num ano que se prevê complicado, e que não se fragmente em demasia o “mercado de provas”, pois no limite ficamos todos a perder.

Porém estou convicto que o nosso desporto está saudável e tem um futuro brilhante pela frente, e acredito que duas tendências irão emergir ao longo do ano: mais eventos de participação gratuita e de cariz citadino (os quais nos consciencializam em prol da defesa do espaço e do património públicos), e iremos correr mais vezes apoiando causas sociais. Um conceito de corrida responsável e solidária.

Se nos concentrarmos no essencial concluímos que correr é o mais barato e acessível de todos os desportos, dado podermos fazê-lo em qualquer lugar e a qualquer hora, sem necessidade de nenhum equipamento sofisticado ou inacessível. Daí que as ruas, parques e passeios de Lisboa (julgo que o Porto vive fenómeno idêntico) tenham mais cor nos dias que correm, trazida por todos aqueles que encontraram na corrida a actividade que nos torna mais resilientes nestes tempos de provação que enfrentamos. Era bom que esta “explosão” atingisse o país na sua totalidade.

Boas corridas em 2013 e que alcancem os objectivos a que se propõem.

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4 comments

  1. Encaixo-me nessa nova vaga de corredores. Sou jovem e mulher e descobri que adoro correr.
    É uma actividade que é realmente acessível e que não necessita de grandes equipamentos. É só sair para a rua e começar a correr na direcção que nos apetecer. É essa liberdade que me atrai. Para além disso correr pode ser terapêutico, pelo menos para mim tem sido em várias ocasiões.

    Um bom ano para si, sempre com muitas e boas corridas.

    1. Excelente post. Uma análise muito bem feita e que reflecte também a minha opinião sobre a actualidade da corrida. Espero que todos (nós, os corredores de pelotão) fiquemos a ganhar com este “boom”.
      Abraço e um 2013 com muitos kms e palavras.

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