Ciclovias de Lx. Pelo Corredor Verde de Monsanto.

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O Corredor Verde de Monsanto. Este é o mais recente legado de Gonçalo Ribeiro Telles a Lisboa e aos seus munícipes, um projecto concebido em 1976, mas baseado numa ideia lançada em 1968, e que precisou de esperar 36 anos (sim, leram bem, trinta e seis anos!) para ser concluído.

Mas primeiro as coisas importantes. Começo pela enorme admiração e consideração por Gonçalo Ribeiro Telles, um homem que sempre defendeu um modelo de cidade em comunhão com o campo, e um arquitecto paisagista que tenta, através dos projectos que nos tem legado, mostrar a validade do conceito que advoga. “O futuro sustentável assenta numa verdadeira política de ordenamento do território, onde é urgente conservar a paisagem, preservando a Biodiversidade e mantendo os ciclos de vida dos sistemas naturais fundamentais à vida dos portugueses.” Infelizmente nem sempre o deixaram por em prática as suas ideias, tantas vezes criticado e boicotado pela ignorância e “pato-bravismo” vigente ao longo dos anos quer na C.M.L., quer em organismos públicos que deveriam zelar pelo ordenamento e proteção do património natural e histórico com que Lisboa foi abençoada. Em minha opinião, o maior elogio que se pode fazer ao ilustre arquitecto paisagista é que sempre teve razão antes do tempo. Se dúvidas houvessem, as mesmas ficaram definitivamente esclarecidas no dia 13 de abril com a atribuição do Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, uma espécie de Pritzker (ou Nobel) da arquitetura paisagista. Merecido e atribuído no momento certo.

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Desta vez fui descobrir o resultado de mais de três décadas de insistência, num percurso por dois troços distintos, o primeiro entre a rotunda de Pina Manique e o parque de estacionamento do acesso Este de Campolide (ponto 1 do mapa abaixo), e o segundo pelo Corredor Verde que liga Monsanto ao jardim Amália Rodrigues/Parque Eduardo VII (pontos 15, 16 e 17). Eis o que encontrei.

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A via ciclopedonal paralela à radial de Benfica, designada oficialmente por ciclovia Lisboa Cidade, é um banal trajecto com 3 km de extensão partilhado por corredores e ciclistas sem qualquer problema. Porém, fica um reparo para a sinalização vertical e horizontal que a define, a qual peca por ser escassa e contraditória.

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No início do troço, na rotunda do Pina Manique, a sinalização vertical identifica-o como ciclopedonal, e assim se mantém até aos Pupilos do Exército. A partir deste ponto e sem nada que o justifique, o trajecto passa apenas a ciclovia até ao final. Haverá certamente um motivo, mas não o consegui descortinar…

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Chegado ao parque de estacionamento (o qual se tornou parqueamento dos utentes dos edíficios de escritórios do eixo R. de Campolide/Av. José Malhoa, impossibilitando a utilização do mesmo por quem vá em demanda de Monsanto), estou no início do recém inaugurado Corredor Verde, o troço que faz a ligação entre o parque florestal de Monsanto e o parque Eduardo VII.

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Nesta fase convém fazer um alerta para o acesso a este troço, dado o mesmo implicar o atravessamento de 4 passadeiras, das quais duas nas vias de saída/entrada na radial de Benfica, local onde frequentemente se encontram automobilistas em excesso de velocidade, apesar da rotunda existente. Aqui todo o cuidado é pouco!

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O Corredor Verde. Inaugurado a 14 de dezembro de 2012, tem 2,1 km e ocupa uma área de 51 ha, contando com duas pontes ciclopedonais, jardim, parque hortícola, searas, dois miradouros, três quiosques com esplanada, parque juvenil e de skate e dois parques de manutenção física.

A R. de Campolide recebe os metros iniciais deste troço e uma situação caricata: a ciclovia é interrompida por… uma paragem de autocarro! Será que quem projecta estas coisas não tem olhos na cara? Com tanto espaço disponível só lhes ocorreu esta solução?

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Um pouco adiante faz-se o atravessamento da rua e acede-se ao jardim da Amnistia Internacional (antes jardins de Campolide) que foi requalificado no âmbito deste projecto, passando a incluir um espaço de manutenção física, uma esplanada e um parque hortícola, constituído por 11 pequenas parcelas de terreno convertidas em hortas urbanas, cultivadas por particulares.

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Passado o jardim chego à ponte que cruza a Av. Calouste Gulbenkian, a primeira de duas existentes no Corredor Verde. Esta estrutura data de 2009 e foi baptizada com o nome do ilustre arquitecto paisagista.

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O percurso continua subindo para o campus da Universidade Nova e, de seguida, paralelo ao Palácio de Justiça e ao jardim do Palácio Ventura Terra até chegar à nova ponte Monsanto.

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Esta bonita estrutura em madeira de pinho nórdico (com 85,2 m de comprimento e 36 toneladas de peso) foi decisiva na conclusão do Corredor Verde, pois permitiu o acesso ao jardim Amália Rodrigues fazendo o atravessamento sobre a R. Marquês de Fronteira.

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Ali chegado é tempo de desfrutar da magnífica vista do topo do parque Eduardo VII, a qual se estende muito para lá do Tejo, até à Arrábida.

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Em conjunto, estes dois troços decorrem ao longo de pouco mais 5 km, mas permitiram que o Parque Florestal de Monsanto ficasse surpreendentemente próximo do centro de Lisboa. Esperemos que o Corredor Verde se mantenha dentro dos objectivos para que foi criado, em particular “respeitar todos os conceitos de organização da vida…, nomeadamente zonas de mato, de arvoredo, de relvado, de horticultura”, e que seja protegido quer pela entidade a quem cabe a sua gestão (C.M.L.), quer por todos nós utilizadores. Só temos a ganhar.

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