Ciclovias de Lx. De Santa Apolónia à Expo.

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O dia 22 de setembro assinalou a inauguração de uma nova ciclovia em Lisboa. Este novo troço, a chamada “2.ª fase da pista ciclável ribeirinha”, estende-se entre Santa Apolónia e a entrada sul do Parque das Nações, numa extensão de cerca de cinco quilómetros. A primeira fase desta pista, entre Belém e o Cais do Sodré, tinha sido inaugurada em agosto de 2009, ficando o projecto concluído 4 anos depois.

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Assim sendo fui experimentar esta nova ciclovia, fazendo um percurso entre o Terreiro do Paço e a marina da Expo, de forma a aferir da valia do novo troço agora disponível para utilização de todos aqueles que optaram pela bicicleta como meio de locomoção.

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Estação Sul e Sueste. Década de 1930.

Iniciei o percurso frente à estação fluvial Sul e Sueste, um bonito edifício modernista da autoria de Cottinelli Telmo e inaugurada em 1932, declarado monumento de interesse público em novembro do ano passado. O edifício enfrenta, no entanto, um dos períodos mais difíceis da sua longa existência. Depois de ter beneficiado de fundos comunitários para levar a cabo a construção de uma nova estação fluvial e para reabilitar a antiga, o Metropolitano de Lisboa diz não ter os 11 milhões de euros necessários para fazer reviver o espaço. Por isso, mantém o terminal fluvial encerrado e cheio de andaimes, num cenário de degradação pouco consentâneo com o estatuto de monumento conferido por portaria publicada em Diário da República. O ex-libris do local eram os enormes painéis de azulejo com os brasões de várias cidades alentejanas e algarvias que decoravam o átrio da estação, que foram arrancados para que pudessem ter lugar as obras que nunca começaram. Actualmente encontram-se… algures em parte incerta!?!?

Esperemos que não tenham desaparecido para sempre e que a estação e o seu património sejam devolvidos à cidade. Antes que seja demasiado tarde!

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Os metros iniciais deste percurso são feitos na Av. Infante D. Henrique (1,4 km), durante os quais continuamos a ter de partilhar o espaço com peões e automobilistas. O troço entre a Doca da Marinha e o terminal de cruzeiros de Santa Apolónia continua a não oferecer grande segurança, pelo que é recorrente a partilha forçada do passeio entre peões e ciclistas, com todos os inconvenientes que a situação acarreta para os primeiros.

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A “2ª fase da pista ciclável ribeirinha” inicia-se junto ao edífício da discoteca Lux e, logo nos primeiros metros, podemos ver a pintura em homenagem aos utilizadores de bicicleta, da autoria de Miguel Ayako.

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Este troço decorre, inicialmente, ao longo de 3,8 km na antiga faixa de bus, cuja supressão entre Santa Apolónia e a Praça 25 de abril, em Braço de Prata, não foi totalmente pacífica. Tal como em outros locais, esta ciclovia também goza de algumas particularidade na sua concepção, sendo a mais recorrente a construção das paragens de autocarro no seu traçado. Neste caso em concreto é interrompida por duas, quatro, seis, oito vezes!! pelas ditas paragens e uma outra pelo atravessamento da linha do comboio, a qual é feita por baixo do viaduto.

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Polémicas à parte, a realidade é que se pode circular neste 1º troço com total segurança, num local onde o trânsito de ligeiros e pesados é intenso.

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A rotunda da Praça 25 de abril faz a transição desta nova via da Av. Infante D. Henrique para a Rua da Cintura do Porto, tendo o seu final na entrada sul do Parque das Nações.

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Ao longo de apenas 1 km, pedalamos por duas situações distintas. Os primeiros 600 m decorrem na Rua de Cintura, tendo sido pintados no pavimento os símbolos de ciclovia, em ambos os sentidos de circulação. Passou-se assim, de um dia para o outro, de uma via de circulação normal para uma ciclovia! Mais fácil e barato era impossível…

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Porém os cuidados a ter são os mesmos, pois na prática nada mudou. Mantem-se o estacionamento desregrado e o tráfego de pesados continua intenso.

Os restantes metros decorrem junto ao cais, no qual  foi construída uma via ciclopedonal devidamente marcada e identificada que termina na entrada sul do Passeio de Neptuno.

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Em jeito de conclusão posso afirmar, sem margem para dúvidas, que esta ciclovia é uma mais valia quer para os utilizadores, quer para a cidade, numa zona que se caracteriza por ser despovoada, desprovida de pontos de interesse e a necessitar urgentemente de ser requalificada. Por um lado, devido às instalações portuárias, a extensa frente ribeirinha entre o Beato e o Poço de Bispo está vedada ao desfrute dos habitantes da capital, em que as vistas do rio e da margem sul são negadas pela imponente parede de contentores em trânsito no porto. Por outro lado, temos os decrépitos edíficios de uma era industrial que marcou Lisboa em décadas passadas, que contribuem para tornar o local inóspito e pouco convidativo a actividades de lazer.

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Neste contexto urbano-depressivo, a ciclovia é um oásis que se destaca por estar bem marcada e sinalizada, apesar dos evidentes problemas estruturais ao longo do traçado. À boa maneira portuguesa, e com a providencial capacidade de desenrascanço, a obra lá se fez e até dá bastante jeito. Resta saber se vai ter capacidade para atrair utilizadores que tragam outro movimento e colorido a um local tão cinzento.

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