Parque da Paz.

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O grande parque de Almada nasceu de um processo de planeamento urbanístico levado a cabo pelo município em 1975, o qual culminou com a reserva de uma área com 60 ha na zona da Quinta do Chegadinho. Posteriormente, em 1979, a autarquia procedeu à elaboração de um minucioso plano de enquadramento paisagístico do lote de terreno reservado, o qual esteve na base do projecto concebido em meados da década de 1990 pelo arquitecto paisagista Sidónio Pardal, a convite da autarquia e materializado no bonito espaço que hoje existe.

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Ao longo dos 40 ha pelos quais se estende, o Parque da Paz oferece excelentes condições ambientais, permitindo que flora e fauna ali encontrem habitats favoráveis. Porém, a sua importância não se esgota apenas no capítulo da biodiversidade, dado que o amplo espaço verde contribuí decisivamente para três outros factores: o equilíbrio ecológico da região (por via do controlo dos escoamentos hídricos e atmosféricos); a melhoria do conforto bioclimático (a vegetação controla a temperatura do ar e reduz a sua amplitude, aumenta a humidade relativa, fixa e absorve as poeiras, principais responsáveis pela insalubridade da atmosfera urbana); e por último como área de recreio e lazer da população urbana (facultando o contacto com os fenómenos naturais, contribuindo assim para o equilíbrio psicofisiológico dos cidadãos).

Por esta razão existe uma grande diversidade de espécies vegetais, tanto herbáceas como de arbustos e árvores. Desde a sua origem já foram plantadas no parque várias dezenas de milhar de árvores, das quais se destacam o pinheiro-manso, a oliveira, a ameixoeira-de-jardim, a árvore-dos-rosários, o plátano e diferentes espécies de carvalhos.

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Por outro lado, diversos grupos de animais encontram refúgio no Parque da Paz (aves, anfíbios, mamíferos, peixes e invertebrados). As aves são o grupo mais fácil de observar, tendo sido registadas, até ao momento, cerca de 60 espécies (entre aquáticas e terrestres) na área do parque. Os mamíferos que se podem registar ocasionalmente incluem vários morcegos, coelho-bravo e roedores como o rato-do-campo e a toupeira. Dos répteis existem várias espécies de lagartixas, osgas e serpentes (como a cobra-de-ferradura) e, nos anfíbios, o mais frequente é a rã-verde.

Como habitualmente, na primeira incursão pelo local parti à descoberta do seu perímetro e, nas restantes, fui à descoberta dos principais caminhos interiores. Os caminhos que levam à descoberta do perímetro do parque proporcionam uma visão muito abrangente das várias áreas que o constituem, todas distintas entre si. Comecei o percurso na entrada principal, à qual se acede pela Av. Arsenal do Alfeite.

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Sigo pela esquerda em suave ascensão rodeando a enorme clareira do vale do Chegadinho (1) e entrando, a espaços, na mata, a área mais densamente arborizada do espaço, a qual é delimitida pela Rua Francisco Bastos. Chegado ao ponto mais elevado deste troço desço para o caminho que, pelo exterior, contorna o vale da ponte (2) e, de seguida, o lago (3), prosseguindo para áreas mais planas.

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Do lado esquerdo podemos observar a escultura denominada Espiral do Tempo (6), uma coluna de aço da autoria de José Aurélio que se ergue a 30 m de altura e ali colocada em 2009. Continuo até à zona dos viveiros, tendo do lado direito o vale do estádio (4), um grande relvado enquadrado com a alameda principal, local que assinala o ponto de partida e chegada desta primeira incursão de 2,5 km pelo Parque da Paz.

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1 – Vale do Chegadinho; 2 – Vale da Ponte; 3 – Lago; 4 – Vale do Estádio; 5 – Monte a Nascente; 6 – Espiral do Tempo; 7 – Monumento à Paz.

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Continuando a descoberta das várias áreas do parque, no segundo reconhecimento fui percorrer os caminhos que contornam o vale do Chegadinho (1), uma extensa e bonita clareira que se desenvolve na encosta sudoeste deste amplo espaço verde.

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Com uma paisagem que remete para o típico montado alentejano, esta parte do parque funde os aspectos mais naturais do local, nomeadamente a zona da mata, com a intervenção realizada a nível de arquitectura paisagística saída do projecto de Sidónio Pardal. Optei por fazer o percurso pelos caminhos principais, sendo que este se extende por 1,3 km, ao longo dos quais se encontram vários locais de estadia que convidam a aproveitar a sombra proporcionada pelas árvores existentes ao longo de parte da sua orla.

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Para o percurso final guardei a zona do lago (3), local que devido às suas características é a principal atração do Parque da Paz. Mais do que um elemento de cariz arquitectónico, este espaço aquático formado por um lençol de 20 mil m² é um local que inspira tranquilidade e serve de abrigo a inúmeras espécies, justificando assim a sua importância ambiental.

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O percurso que rodeia o lago tem 1 km de extensão e é predominantemente plano, permitindo conhecer, além do lago propriamente dito, várias zonas de estadia e contemplação, as quais oferecem ao espaço um toque romântico que em muito enriquece a conjuntura deste local. Começo junto ao Monumento à Paz (7), a escultura de grandes dimensões (também da autoria de José Aurélio) ali erguida em 1999. Mede cerca de 40 m nos pontos mais afastados e ergue-se a 26 m de altura no elemento vertical de maior alcance, sendo que a sua forma espalha em movimentos ondulados os braços e os pináculos verticais e curvilíneos. Seguindo pela esquerda encontro, do mesmo lado, as instalações de apoio aos visitantes, as quais incluem as casas-de-banho e os serviços informativos do parque. Do lado direito vamos tendo as várias perspectivas do lago e observando as muitas aves que povoam as suas margens, bem como descobrindo os diversos locais propícios para uma pausa em comunhão com a natureza.

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O Parque da Paz é um espaço pensado à escala das necessidades do homem, no qual Sidónio Pardal criou espaços denominados de estadias, onde não só se privilegia a identidade e linguagem arquitectónica, como também se medita sobre a fusão da beleza natural inserida na realidade urbana. Resultou, na verdadeira acepção da palavra, num local de contemplação, leveza e arte, onde se promove a prática desportiva e enleva a serenidade do espírito.

Um local a divulgar, desfrutar e preservar, incondicionalmente!

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2 comments

  1. Já por diversas vezes ouvi maravilhas do parque da Paz e este excelente relato só comprova a ideia que já tinha. Um destes dias vou até lá fazer um treino.
    Como terei de ir de carro, estive a ver no Google Earth mas não consigo perceber se existe alguma entrada dita principal ou, pelo menos, onde exista parque para estacionar. Parece haver qualquer coisa em frente a um estádio de futebol mas não sei se depois há ligação ao parque.
    Já agora, existe algum local com parque infantil e café com esplanada ?
    Obrigado
    Ricardo_A

    1. O parque da Paz é, sem dúvida, um espaço que merece ser visitado. A entrada principal situa-se na Av. Arsenal do Alfeite (logo a seguir ao campo de futebol e estação de serviço), mas também se pode aceder pela rotunda do centro-sul. Não existe nenhum parque infantil nem café com esplanada, apenas umas máquinas dispensadoras na zona de informação ao utente. No entanto existem vários bebedouros espalhados pelo parque, todos eles em funcionamento. Bom passeio (ou treino).

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