Marcha dos Fortes.

marcha dos fortes

Marcha dos Fortes. A grande jornada de pedestrianismo e de divulgação das Linhas de Torres Vedras está de volta no próximo dia 11 de Outubro, desta feita para a 10ª edição. Organizada pelo CAAL – Clube de Actividades ao Ar Livre e com o apoio de vários municípios da região Oeste, o percurso decorrerá ao longo de 43km, dos quais 14 km completamente novos, que irão percorrer caminhos nunca antes trilhados nas edições anteriores e que darão a conhecer o Q.G. do Duque de Wellington no Forte Novo do Sobral e no Forte da Caneira.

Enquadramento histórico – As Invasões Francesas (ou Guerra Peninsular)

Desde a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, em 1799, que Portugal tentava manter a neutralidade no cenário de guerra que se desenhava por toda a Europa. No entanto, a necessidade de assegurar a colaboração portuguesa no Bloqueio Continental que pretendia isolar a Grã-Bretanha levou a que Napoleão assinasse com Espanha, em Outubro de 1807, o Tratado de Fontainebleau, que previa a invasão e subsequente divisão do território português em três reinos.

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Napoleão Bonaparte e partida da Família Real para o Brasil.

Em Novembro desse ano as tropas francesas comandadas pelo General Jean Andoche Junot entravam em Portugal, não encontrando resistência por parte da Regência do Reino, nomeada para o governo do país na ausência da Família Real, que o havia abandonado e rumado ao Brasil.
O colaboracionismo inicial deu lugar à revolta de grande parte da população, o que levou a que a diplomacia portuguesa pedisse ajuda à Inglaterra para derrotar o exército invasor. Desta forma, em Julho de 1808, o General Arthur Wellesley, 1º Duque de Wellington, desembarcou na foz do Mondego e avançou na direcção de Lisboa, vencendo as tropas francesas nas Batalhas de Roliça e Vimeiro, o que forçou a rendição de Junot.

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Wellesley, Junot e Soult.

Porém, a França não ia desistir dos territórios peninsulares e, em Março de 1809, o Marechal Nicholas Jean-de-Dieu Soult comandava uma nova expedição que invadiu o país, entrando pelo Minho e avançando até à cidade do Porto. Mais uma vez as tropas luso-britânicas defrontaram as forças francesas, e estas seriam obrigadas a retirar do país.

As linhas defensivas de Torres

Depois desta segunda invasão, o comando das tropas luso-britânicas compreendeu a necessidade de construir várias fortificações que formassem uma linha de defesa da capital do reino, no caso de se verificar uma nova invasão das tropas francesas. Seriam assim edificadas, por ordem de Wellesley, as Linhas de Defesa de Lisboa, ou Linhas de Torres, 152 fortificações apetrechadas com 523 bocas-de-fogo distribuídas entre Torres Vedras e o rio Tejo, erguidas no mais absoluto segredo militar e que se estendiam por cerca de 80 quilómetros, assegurando a defesa da costa atlântica e do estuário do rio.
Estes fortes eram estruturas de pequenas dimensões que se desenvolviam em planimetria poligonal, circundada por um fosso seco, albergando poucas peças de artilharia e tendo capacidade para companhias que não excediam os 300 homens. A sua implantação aproveitava os obstáculos naturais da região, e entre as diversas fortificações foram construídas estradas militares, que asseguravam não só a comunicação e mobilidade entre aquelas, mas também mantinham aberto o caminho para o mar, no caso de ser necessária uma retirada das tropas inglesas.

linhas de torres

Mapa da época e infografia.

As estruturas foram divididas por duas linhas principais, que atravessavam diversos concelhos. A 1ª linha tinha uma extensão de 46 km e ligava Alhandra à foz do rio Sizandro, em Torres Vedras. Foi organizada em termos defensivos e funcionava em linha com as obras que tinham sido construídas nas elevações do Sobral de Monte Agraço e de Torres Vedras; a 2ª linha extendia-se ao longo de 39 km e ligava a Póvoa de Santa Iria (mais concretamente a zona que viria a chamar-se posteriormente Forte da Casa) a  Ribamar, junto à foz do rio Safarujo, interceptando os desfiladeiros de Bucelas, Montachique e Mafra. Apoiava-se ainda nas serras de Fanhões e Serves, no Cabeço de Montachique e na serra de Chipre.

Existiam ainda duas outras linhas, mas já fora da região: a 3ª linha com 3 km de extensão que ligava Paço de Arcos ao Forte de São Julião da Barra, a qual completava um perímetro em volta das zonas de praia junto à foz do rio Tejo e pensada para proteger a zona onde, em caso de necessidade, embarcaria o exército britânico. A 4ª linha construída ao longo de 7,5 km na margem sul do Tejo, ligando a zona da Mutela (junto a Cacilhas) ao Alto da Raposeira, na Trafaria. Tinha como funções garantir a segurança no momento de um eventual embarque e controlar a acção do inimigo na península de Setúbal.

batalha

Cenas de batalhas.

Na realidade, este sistema adaptava os princípios de fortificação abaluartada a uma disposição em linha, para uma melhor adaptação à topografia da região circundante à cidade de Lisboa, sendo considerado o mais eficiente sistema de fortificações de campo da história da arquitectura militar.
Erigidas de forma sigilosa e com a ajuda das populações locais, as Linhas de Torres permitiram que em Outubro de 1810 as tropas luso-britânicas usassem o factor surpresa como determinante para a derrota do exército francês e sua posterior expulsão da Península Ibérica, quando este invadiu pela terceira vez o território português sob os comandos do Marechal André Massena.

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Massena e retirada do exército francês.

Mais do que uma jornada marcante do pedestrianismo nacional, a Marcha do Fortes é uma incursão pela história através dos testemunhos que restam de um passado feito de coragem e abnegação. Para conhecer, a caminhar.

Informação adicional

Inscrições

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Durante o período das “Invasões Francesas”, ou da Guerra Peninsular, verificaram-se quatro grandes investidas das tropas francesas. A primeira Invasão, intentada pelo General Junot, chegou até Lisboa e está cronologicamente determinada entre 19 de Novembro de 1807 (entrada por Segura, na Beira Baixa) e 15 de Setembro de 1808 (regresso de Junot a França). A segunda Invasão é comandada pelo General Soult que entra em Portugal por Chaves, em 10 Março de 1809, e dura até Maio desse ano. A terceira Invasão é comandada pelo Marechal Massena que entra pelo Nordeste de Portugal, em 24 de Julho de 1810. Conquista Almeida e segue até ao Bussaco onde trava a Batalha com o mesmo nome, em 27 de Setembro. Os franceses, já bastante debilitados, prosseguem até às Linhas de Torres, onde são derrotados em 14 de Outubro. Por último e embora seja desconhecida para a maioria dos portugueses, existiu uma 4.ª Invasão, quando em 3 de Abril de 1812 o Marechal Marmont ocupou a praça de Almeida. Esta invasão durou apenas 20 dias, terminando a 24 de abril.

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2 comments

  1. O meu filho falou neste tema e fez power point, no Clube de actividades de ar livre Lisboa numa das reuniões de preparação da Marcha dos Forte

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