parque eduardo VII. 2.

Percorrida a zona oriental continuo o percurso, agora de Sul para Norte, entrando na zona ocidental pela Alameda Edgar Cardoso. O primeiro edifício com que nos deparamos é o Clube VII, um espaço desportivo construído nos anos 90 na sequência da desafectação do domínio público de cerca de 8.800 m2 dos 132 mil que tinham sido expropriados, em 1914, à família do marquês da Graciosa.

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Clube VII.

Foram assim ali construídos o complexo de ténis e um parque de estacionamento subterrâneo, ambos privados, durante a presidência de Krus Abecassis, num mandato do qual apetece dizer que “nunca tão poucos, em tão pouco tempo, fizeram tanto mal à cidade”.

Passado este local segue-se uma zona de estância composta por um quiosque (de edificação mais recente) e pelo parque infantil, um espaço funcional e bem cuidado.

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Parque infantil e cafetaria.

Nele podem ser vistas duas estátuas de figuras de crianças – dois rapazes e rapaz e rapariga – do escultor Martinho Félix de Brito, datadas de 1963.

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Estátuas de crianças de M. Brito.

Um pouco adiante segue-se a grande “jóia” que o parque alberga e que dá pelo nome de Estufa Fria. Construída no local onde existia uma pedreira de basalto, é uma estrutura única em todo o país, que alberga uma colecção botânica proveniente das mais diversas regiões do mundo. Em 1926, o arquitecto e pintor Raul Carapinha, tendo ali encontrado um agradável espaço verde, idealiza um projecto para o transformar numa Estufa, a qual é concluída em 1930 e inaugurada oficialmente três anos depois.

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Construção da Estufa Fria.

No final dos anos 40, o novo projecto do Parque Eduardo VII também provocou alterações na Estufa Fria, sendo as mais importantes o reenquadramento e remodelação da entrada, a criação do lago fronteiro e a construção duma enorme sala por baixo da alameda do Parque, a “Nave“, usada durante anos como teatro municipal. Em 1975, foram abertas ao público a Estufa Quente e a Estufa Doce, destinadas à exposição permanente de plantas tropicais e equatoriais.

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Panorâmica aérea da Estufa Fria e complexo desportivo.

A entrada neste local único faz-se pelo belo pórtico / torre projectado por Keil do Amaral em 1949, o qual preserva toda a beleza e simplicidade do traço original.

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Estufa Fria. Pórtico de Keil do Amaral.

Enquadrando este espaço existem um lago e um pequeno largo que albergam várias estátuas, entre elas o monumento ao Rei Eduardo VII de Inglaterra, da autoria do escultor Albert Bruce-Joy, inaugurado a 27 de Março de 1985 pela Rainha Isabel II.

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Lago da Estufa Fria.

A Estufa Fria renasceu e está de cara lavada, no seguimento da profunda intervenção que visou a sua recuperação (após ter sido detectado, em 2009, o colapso eminente da estrutura) e adaptação para os tempos actuais. Os 3,10 euros que custam a visita são mais do que recompensados pelo fabuloso acervo botânico que ali pode ser admirado.

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“Vento garroa”, Domingos Soares Branco, 1954, “Nú de mulher”, Anjos Teixeira, “Nayade”, Francisco de Assis Rodrigues, 1935 e “Eduardo VII”, Albert Bruce-Joy, 1985.

Continuando para a parte final deste percurso retomo a alameda central do parque para, um pouco adiante, regressar ao local de partida.

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Alameda central e passeios laterais.

Este percurso pelo Parque Eduardo VII espelha bem o quão anacrónica é a política (ou antes, a falta dela) subjacente à defesa e manutenção do património histórico da cidade. Que pensar do governo de uma cidade – capital de um país – que se dá ao luxo de desperdiçar a mais importante mancha verde implantada na sua zona mais central, um local mencionado em todos os guias e visitado por milhares de turistas? Um espaço ímpar ao qual vai sendo retirada a dignidade e elegância do projecto original. Os dois lados do parque mostram uma realidade diametralmente oposta. A Estufa Fria, o jardim infantil e o complexo desportivo estão cuidados e devidamente operacionais. Do lado oposto a realidade é ilustrada pelo pavilhão Carlos Lopes. O estado a que se deixou chegar um edifício daquela nobreza é uma vergonha imensa! Seria de todo o interesse que a C.M.L. esclarecesse os munícipes sobre o destino que deu ao dinheiro que estava destinado, por via das receitas do Casino na Expo, para a sua recuperação. O desleixo e o deixa andar estão patentes um pouco por todo o lado, basta ver a estatuária vandalizada, os equipamentos rabiscados e semi-destruídos, os passeios esburacados, as obras inacabadas. Uma triste realidade que necessita, urgentemente, de ser travada e revertida por quem tem a responsabilidade de cuidar pelo património da “mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa“.

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Perímetro, interior e alameda do percurso.

Características do percurso – piso: duro (alcatrão e calçada); distâncias: perímetro – 2,4 km; interior – 2 km; alameda – 1,4 km; água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 2 coordenadas gps do ponto inicial/final: n38º 42.585′, w9º 08.319′.

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