parque das penhas do marmeleiro

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Parque das Penhas do Marmeleiro. Uma área de 4 hectares na ponta oriental de Murches, inaugurada a 5 de Setembro de 2009. Este parque resultou do projecto de requalificação que contemplou um conjunto de intervenções em áreas integrantes do Parque Natural de Sintra-Cascais, nomeadamente a reflorestação da zona do Zambujeiro, a criação do Parque da Pedra Amarela, e a recuperação ambiental e paisagística da Quinta do Pisão.

O nome “penhas” deriva das formações calcárias que vigiam do alto das quebradas o Rio Marmeleiro, nome do curso de água que o bordeja, e “do Marmeleiro” porque, decerto, essa era a árvore mais comum nas margens da ribeira. Equivocou-se quem o denominou “da Marmeleira”, porque não procurou a informação onde devia, a qual pode ser encontrada na página 273 do livro Monografia de Cascais, de Ferreira de Andrade (CMC, 1969). Nela se transcrevem as respostas dadas pelo prior de Alcabideche, Fortunato Lopes de Oliveira, ao inquérito lançado pelo Marquês de Pombal, onde se fala do ribeiro e da povoação: “Marmeleiro é um ribeiro, que consta de quatro azenhas de trigo e um lagar de azeite. Seca-se de Verão. Vem de outro ribeiro, a que chamam de Porto Covo […].

O projecto inicial contemplou um parque infantil, um centro interpretativo em pavilhão aberto e um percurso em passadiço que permitia explorar, entre penhas e vales, as paisagens naturais e panoramicas deslumbrantes que o local propicia. Porém, passados 7 anos após a sua abertura, o que ficou desta visita foi um misto de tristeza (pelo estado actual) e de esperança (por acreditar que a C.M. Cascais ainda não se demitiu da obrigação de preservar o património público).

Logo à entrada começa a desilusão! O núcleo central do parque é composto por dois níveis, nos quais foram instalados os principais equipamentos de apoio ao local. No nível superior situam-se o espelho de água, o Centro Interpretativo em pavilhão aberto e o miradouro panorâmico sobre o vale. Dos dois primeiros restam apenas resquícios das suas funções. O espelho de água – que em tempos saudava os visitantes -… sem água, e o Centro Interpretativo sem préstimo, pois há muito que os painéis explicativos que ali existiam foram destruídos.

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Felizmente resta o miradouro, o qual atenua grandemente a desilusão inicial, tal a magnífica vista com que brinda os visitantes.

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Na encosta artificial plantada de rosmaninho, alecrim e medronheiros encontra-se a escadaria que dá acesso à plataforma inferior, onde resiste o parque infantil totalmente recuperado. Mas desconfio que será por pouco tempo…

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Visitado o núcleo central do parque, seguiu-se a exploração do seu perímetro. Porém, o passeio tranquilo que tinha em mente rapidamente se complicou, tal o estado de destruição em que se encontra o passadiço que permitia a realização do percurso interpretativo.

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Pelo que consegui apurar, em Julho de 2015 terá ocorrido um incêndio que destruiu parte significativa da encosta norte do parque e, consequentemente, o passadiço existente. Embora as marcas das chamas continuem bem presentes, a natureza vai cumprindo a sua função de restituir vida à terra ardida, contrastando com os passadiços de que apenas restam os esqueletos calcinados e pequenos troços que o fogo poupou. Até quando?

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No entanto e apesar das dificuldades existentes realizei o percurso interpretativo. A sensação com que fiquei foi que, em condições normais, este local é um verdadeiro hino à biodiversidade que propícia momentos de íntima comunhão com a natureza. A vegetação existente é um misto de mediterrânica e atlântica, complementada por uma enorme variedade de flora e habitada por fauna diversa que podemos observar desde os vários locais de estadia existentes. Pelo vale corre sereno o rio que dá o nome ao local, contribuíndo para a enorme sensação de tranquilidade que este parque proporciona.

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As Penhas do Marmeleiro são um sítio de excelência e merecem uma visita. Um anfiteatro natural com um arranjo de arquitectura paisagística deveras original, que oferece um panorama que vai do Cabo Espichel à Serra de Sintra. Porém, tal como hoje se apresenta, corre o risco de degradação irreversível, pelo que é urgente a adopção de medidas que visem a recuperação deste precioso património antes apelidado de “Paraíso perdido em Cascais”.

Nota: Percorri o que resta do passadiço por minha conta e risco, porém desaconselho que o façam pela manifesta falta de segurança que o mesmo apresenta.

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Características do percurso – piso: misto (empedrado e terra batida); perímetro – 1 km; tipo: circular; água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 2; coordenadas gps do ponto inicial/final: n38º 43.83′, w9º 26.01′.

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