Autor: Paulo L

português nascido em luanda. viajante do mundo. corro por quem não pode.

circuito lisboa trail 19. palmela. #2.19

Em 2019 decidi não fazer o circuito na totalidade, pois não sou grande adepto (salvo raras excepções) de repetir provas. Assim sendo e com cinco novas etapas disponíveis estive na 1ª edição do Trail de Palmela, prova que marcou a minha estreia no circuito deste ano.

Para esta prova tinha apenas dois objectivos: terminar e prevenir, na medida do possível, algum tipo de lesão impeditiva da normal actividade diária. Como tal fiz tranquilamente os 8,5 km do percurso do trail curto em 1h29, o qual nos brindou com vistas espectaculares desta bonita região.

Foi o evento com a distância mais curta (até à data) de todos os que participei neste circuito, mas nem por isso o menos duro (diria até que teve um elevado grau de dificuldade para tão poucos km). De uma forma muito resumida foram duas grandes descidas e duas enormes subidas, incluindo um monumental estrangulamento do percurso ao km 2 (pormenor a rever em próximas edições). A chegada aconteceu no centenário Castelo de Palmela, um bónus desta excelente jornada com o selo de profissionalismo e de qualidade da We Run.

Um caso sério de popularidade esta 2ª etapa do Circuito Lisboa Trail que registou 1.095 classificados no total das duas provas (692 no tc e 403 no tl).

Encontro marcado para o Trail de Mafra no dia 10 de março.

cfa 19. marinha. #1.19

Demorou 4 anos mas hoje corri na Base Naval do Alfeite para, finalmente, completar o “meu” Circuito das Forças Armadas.

Uma das propriedades preferidas do rei D. Carlos era bem próxima da cidade de Lisboa. Situava-se à beira da margem Sul do rio Tejo e estendia-se por 300 ha entre Cacilhas e o Seixal, desde o Caramujo e Romeira até à Ponta dos Corvos. Conhecida como Palácio e Quinta Real do Alfeite, sempre que o monarca-oceanógrafo desembarcava de galeota naquele cais ficava radiante ou, melhor dizendo, nas “sete quintas”.

Naquela extensa propriedade instalava-se no palácio construído em 1758 e posteriormente recuperado em 1849 a mando de D. Estefânia – mulher de D. Pedro V – numa obra projectada pelo arquitecto Possidónio da Silva. Dedicava os seus dias à escrita, aos passeios e às caçadas e, como não podia ficar mais bem instalado, a expressão “sete quintas” perdurou.

Com a implantação da República, em 1910, mudaram os destinos da propriedade. Em Junho de 1918 foi entregue à Junta Autónoma do Arsenal do Alfeite pela Direcção-Geral da Fazenda Pública (o ministério das Finanças da altura). Num futuro a médio prazo seria criada uma base naval, o que sucedeu em 1958, uma vez que até então os barcos estavam amarrados a bóias em frente ao Terreiro do Paço.

Este local repleto de história acolheu o reduzido pelotão – 288 classificados – da 1ª etapa da edição de 2019 do CFA, dupla volta de 5 km pelos terrenos da base e com alguma dificuldade decorrente dos vários desníveis que se sucediam. No geral um evento bem organizado que permitiu conhecer um pouco do interior desta instalação militar.

Termino dedicando esta corrida a José Arruda, alguém que sempre admirei pelo exemplo de determinação e querer que demonstrava nas inúmeras provas em que coincidimos. O pelotão ficou mais pobre, mas o exemplo perdurará para sempre. Que descanse em paz.

arruda