atletas portugueses

uma senhora campeã

Aurora Cunha – Uma Vida de Paixões é o livro, em registo de biografia ilustrada, que retrata uma das mais emblemáticas corredoras de fundo da história do atletismo português, e no qual ficamos a conhecer em detalhe a sua carreira e as suas conquistas.

Recordista e campeã mundial de estrada em três anos consecutivos – 1984, 1985 e 1986 -, venceu quatro das maiores maratonas do mundo – Paris e Tóquio em 1988, Chicago em 1990 e Roterdão em 1992 – o que a tornou num dos grandes nomes do atletismo mundial na década de 1980.

Retirada das competições desde o ano 2000, tem tido um percurso de grande empenho em prol de causas sociais e desportivas, nomeadamente na luta por uma actividade física limpa e sem doping, papel que lhe valeu várias homenagens ao longo dos anos.

Uma Senhora campeã que fez “da paixão pelo desporto, uma afirmação e realização social pela transcendência, e um percurso pautado pela humildade, tenacidade, resistência e solidariedade”.

– Aurora Cunha Uma vida de paixões, Aurora Cunha e Maria José Carvalho, Editora Glaciar, 978-989-87768-39

orgulho nacional

CarlosLopes

Amanhã, às 00h16, a RTP2 passa um documentário imperdível: Carlos Lopes – O homem da Maratona.

O dia 12 de Agosto de 1984 ficará para sempre marcado como a primeira página de ouro do desporto português e uma das mais belas da história do nosso atletismo. Pouco passava das 3 horas da madrugada em Portugal quando Carlos Lopes entrou no estádio olímpico de Los Angeles com 200 metros de vantagem sobre os seus mais directos adversários, em passada firme e com um sorriso nos lábios.

Os braços erguidos ao céu “agarravam” a vitória na Maratona da XXIII Olímpiada, o ponto mais alto de uma carreira feita de garra e persistência, eternizando assim o seu nome não apenas no desporto nacional, mas também no mundo olímpico.

“Táctica? Não tinha táctica. Só pensava em correr os últimos 5 km em 14 minutos. Bastaram 14.30. Custaram-me mais os primeiros cinco, estava bloqueado, depois libertei-me e utilizei a passada de 1,70 m, uma das três versões que tinha disponível. Aos 37 km arranquei e isolei-me para saborear o final no estádio perante 90.000 espectadores.”

Depois foi ver Carlos Lopes subir ao pódio para receber a primeira medalha de ouro para Portugal no maior evento multidesportivo do mundo, dando ao país a enorme alegria e emoção de ouvir, também pela primeira vez, tocar a Portuguesa nuns Jogos Olímpicos.

“Se foi dura a Maratona? Não, foram os 42 km do costume. Nunca tive medo de ser derrotado. Nervoso estava o professor Moniz Pereira. Nunca o vi assim. Nervoso de mais. Estou feliz, o professor merecia esta medalha. Decidi não me preocupar antes dos 37 km, a partir daí sabia que tinha de dar forte e feio, foi o que fiz.”

O cronómetro marcou 2h09m21s, recorde olímpico que duraria até Pequim 2008.

A televisão pública optou por difundir este documentário num horário tardio e perdido na grelha de programação da RTP2, quando o devia emitir na RTP1 e logo a seguir ao noticiário, em horário nobre. Isso sim, seria serviço público!