estrada

cfa 19. marinha. #1.19

Demorou 4 anos mas hoje corri na Base Naval do Alfeite para, finalmente, completar o “meu” Circuito das Forças Armadas.

Uma das propriedades preferidas do rei D. Carlos era bem próxima da cidade de Lisboa. Situava-se à beira da margem Sul do rio Tejo e estendia-se por 300 ha entre Cacilhas e o Seixal, desde o Caramujo e Romeira até à Ponta dos Corvos. Conhecida como Palácio e Quinta Real do Alfeite, sempre que o monarca-oceanógrafo desembarcava de galeota naquele cais ficava radiante ou, melhor dizendo, nas “sete quintas”.

Naquela extensa propriedade instalava-se no palácio construído em 1758 e posteriormente recuperado em 1849 a mando de D. Estefânia – mulher de D. Pedro V – numa obra projectada pelo arquitecto Possidónio da Silva. Dedicava os seus dias à escrita, aos passeios e às caçadas e, como não podia ficar mais bem instalado, a expressão “sete quintas” perdurou.

Com a implantação da República, em 1910, mudaram os destinos da propriedade. Em Junho de 1918 foi entregue à Junta Autónoma do Arsenal do Alfeite pela Direcção-Geral da Fazenda Pública (o ministério das Finanças da altura). Num futuro a médio prazo seria criada uma base naval, o que sucedeu em 1958, uma vez que até então os barcos estavam amarrados a bóias em frente ao Terreiro do Paço.

Este local repleto de história acolheu o reduzido pelotão – 288 classificados – da 1ª etapa da edição de 2019 do CFA, dupla volta de 5 km pelos terrenos da base e com alguma dificuldade decorrente dos vários desníveis que se sucediam. No geral um evento bem organizado que permitiu conhecer um pouco do interior desta instalação militar.

Termino dedicando esta corrida a José Arruda, alguém que sempre admirei pelo exemplo de determinação e querer que demonstrava nas inúmeras provas em que coincidimos. O pelotão ficou mais pobre, mas o exemplo perdurará para sempre. Que descanse em paz.

arruda

de visita aos F-16

De regresso à estrada e com mais uma Base Aérea para a lista de provas, desta vez a nº 5 em Monte Real.

Nos terrenos da atual Base Aérea funcionou, de 1938 a 1941, o Aero-Clube de Leiria, que serviu posteriormente como Aeródromo Militar (até 4 de outubro de 1959), data que marcou a inauguração oficial da Base Aérea Nº 5.

Construída num local central do território continental, de modo a permitir a intervenção rápida dos seus caças em qualquer ponto do mesmo, esta base NATO recebeu, em 8 de julho de 1994, as primeiras 4 aeronaves Lockheed Martin F-16, de um total de 30 que constituem a única esquadra – 201 Falcões – de aviões de caça do país que estão em permanente estado de prontidão.

A 1ª Corrida de Monte Real, um evento organizado pela C.M. Leiria e com o apoio técnico da Atletas.net, levou até esta localidade num magnífico fim de tarde um razoável pelotão (pouco mais de três centenas de participantes), que não perderam a oportunidade de correr num espaço (habitualmente) inacessível.

A base abriu as suas portas para uma parte do percurso com cerca de 3 km, delineado pela zona mais operacional da mesma e onde não faltou um F-16 para fazer a “guarda de honra” aos participantes.

A 1ª Corrida de Monte Real foi um evento bem organizado e com um percurso interessante, que só precisa de um ajuste no calendário para se tornar numa clássica de estrada.

Agora, para fazer o pleno de provas nas bases aéreas nacionais ficam a faltar apenas duas: Beja e Lajes. Excelentíssimos Senhores Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e Comandantes das BA 11 e BA 4, que tal pensarem no assunto?