meia maratona

circuito running wonders

Em 16 de Novembro de 1972 realizou-se em Estocolmo a Convenção para a Protecção do Património Mundial Cultural e Natural, a fim de “identificar uma parte dos activos inestimáveis e insubstituíveis de toda a humanidade.” Com esta iniciativa chegou a conhecida “Lista do Património Mundial da Unesco», composta por monumentos e locais de grande riqueza natural e cultural. Portugal tem elencados, até ao momento, 15 lugares (14 culturais e 1 natural) tidos como dignos de figurar nesse registo.

Alguns anos volvidos e capitalizando a atractividade que estes locais começaram a gerar em termos turísticos, surgiu a Running Wonders Foundation que promoveu um conjunto de provas realizadas à volta do globo denominado “Circuito Mundial de Meias-Maratonas em Patrimónios Mundiais”, no qual Portugal entrou em 2014, por iniciativa da GlobalSport, com as meias-maratonas do Douro Vinhateiro e de Guimarães.

No ano seguinte a promotora evoluiu o projecto e apresentou o “Circuito Running Wonders” com três provas – às duas anteriores juntou-se a de Coimbra -, tendo, em 2016, crescido para cinco eventos com a inclusão das meias-maratonas do Dão e de Évora.

Em 2017 assistiu-se à consolidação do projecto que passou a integrar sete provas, sendo as novas propostas realizadas na Guarda e em Castelo Branco, que apesar de não estarem classificadas na lista da UNESCO como Património Mundial, integraram o circuito com base no seu interesse turístico.

Em 2018 chega a 4ª edição do circuito, tendo como grande novidade o cruzar da fronteira até Espanha. Pelo caminho ficaram os eventos que se estrearam no ano passado, sendo substítuidos pelas provas (denominadas surpresa) de Cáceres e Sintra, a 8 de Abril e 11 de Novembro (alterada de 4 para 11), respectivamente.

Uma mudança a que não serão alheios os interesses (comerciais e económicos no mercado ibérico) do principal patrocinador do circuito.

#7.16. corrida dos vinhedos do alto douro

great douro wineyard run

Depois de Sintra o Douro. Podia encurtar esta crónica e dizer apenas que foi a corrida mais bem hidratada do mundo, tal como a organização prometera, muito bem organizada e com um percurso traçado por lugares de uma beleza ímpar.

Porém a Great Douro Vineyard Run foi muito mais do que isso, uma das mais belas e originais provas em que participei e uma experiência que superou as minhas melhores expectativas.

A bonita vila do Pinhão, no Alto Douro Vinhateiro, acolheu a 1ª edição da GDVR cujo principal atractivo foi correr pelos vinhedos que cobrem os grandes declives que se levantam desde o rio Douro, e ao longo do escadório de socalcos e patamares construídos pela determinação do homem. Como se não bastasse a beleza da paisagem, ainda teve o atractivo suplementar proporcionado pela passagem por sete importantes quintas produtoras de vinho do Porto, com prova do precioso néctar incluída.

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Foram 21 km de um percurso exigente, mas o esforço e o consequente desgaste físico foram sendo mitigados pela recepção e abundância de géneros que aguardavam os participantes em cada uma das sete quintas que se associaram ao evento: Cavadinha e Bomfim da Symington, Terra Feita e Junco da Taylor´s, Noval do grupo com o mesmo nome, Roêda da Croft e Cruzeiro da Fonseca.

Os pontos de abastecimentos apresentaram-se como ansiados oásis num dia de forte canícula e foram, sem excepção, locais de boa disposição e simpatia promovida pelos elementos que os integraram. E, como não podia deixar de ser, os excelentes vinhos do Porto servidos também deram uma preciosa ajuda…

Este foi um daqueles eventos que, como se diz na gíria, saiu bem à primeira! Apesar de existir sempre espaço para melhorar, como participante não encontrei pontos que merecessem uma apreciação negativa, pelo que, se tivesse que sugerir uma alteração, seria apenas começar a prova um pouco mais cedo. No entanto, mesmo com o horário praticado e entendendo o porquê do mesmo, voltaria a participar sem qualquer dúvida.

A GDVR foi (é) um evento 5*****. Pelo conceito, pela organização, pela enorme disponibilidade dos voluntários e forças de segurança que o tornaram possível, pela generosidade das populações locais.

Espero que se repita por muitas edições para que mais atletas tenham o privilégio de desfrutar das paisagens e hospitalidade de um dos mais belos locais do nosso país!

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2016