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Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo

Há uns meses atrás, durante a leitura de uma revista de actualidades, deparei-me com o título “Projeto do Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo vencedor dos ArchMarathon Awards 2015 na categoria Landscape and Public Spaces (Paisagem e Espaços Públicos)”.

Desde logo fiquei curioso em saber mais sobre o projecto e o prémio, bem como em conhecê-lo no terreno. No entanto quis fazê-lo de uma forma diferente, ou seja, optei por utilizar apenas os transportes públicos e a bicicleta, pelo que, munido da informação necessária, pedalei até Santa Apolónia e apanhei o comboio até à estação de Alverca, a “porta” mais a Norte de acesso ao local.

Na realidade o projecto integra duas áreas inauguradas em 20 de Julho de 2013, o referido Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo e o Parque Urbano da Póvoa de Santa Iria. Em conjunto ocupam um total de 70 hectares conquistados ao sector industrial privado que proporcionam às comunidades adjacentes a oportunidade do contacto directo com o rio, até então bloqueado por grandes lotes industriais e terrenos agrícolas. Foram dotados de equipamentos culturais e de lazer, bem como de estruturas de acesso que perfazem quase 6.000 metros de trilhos pedonais e cicláveis entre a ribeira da Verdelha (Alverca) e o cais setecentista da Póvoa, os quais percorri na totalidade para melhor conhecer este magnífico local.

O primeiro troço percorrido foi o Trilho da Estação, que liga a estação de comboios de Alverca até à Ribeira da Verdelha, decorrendo paralelo à vedação da linha férrea num misto de via pública e de caminho agrícola. Tem 1,5 km de extensão e foi recentemente intervencionado de forma a delinear o trilho dos caminhos confinantes.

Parque Ribeirinho 4

Chego à ribeira e continuo pelo Trilho da Verdelha que decorre ao longo de quase 2 km sobre os seus combros até à foz.

Parque Ribeirinho 5

A paisagem varia entre ecossistemas naturais associados ao sapal e às salinas visíveis para Sul, e as áreas agrícolas a Norte, sendo um trilho particularmente bonito e com grande biodiversidade que termina na foz da Ribeira da Verdelha. Este local proporciona uma zona de estadia que é, simultâneamente, um abrigo para observação de aves, existindo também um painel informativo que permite aprender um pouco mais sobre este ecossistema.

Parque Ribeirinho 2

É também neste ponto que entroncam os trilhos do Tejo e o do Forte da Casa, os quais conduzem a zonas muito distintas desta extensa área.

Parque Ribeirinho 1

Segui pelo Trilho do Forte da Casa que conduz, ao longo dos seus 1,3 km, à passagem pedonal sobre a Estrada Nacional 10 e a linha férrea, do cimo da qual se tem uma espectacular vista panorâmica da parte Norte do parque.

Parque Ribeirinho 3

Regressado à foz da ribeira prossegui pelo Trilho do Tejo ao longo dos 730 m do passadiço de madeira sobre o dique, o ex-libris deste parque, que atravessa uma paisagem com grande valor natural e elevado interesse pedagógico, caracterizada por extensas áreas de sapal, agrícolas e salinas abandonadas, que proporcionam a observação de fauna e flora diversificada e própria destes ecossistemas.

Parque Ribeirinho 6

A Praia dos Pescadores foi a paragem seguinte. Um local para actividades de lazer que incluí parque de merendas, zona desportiva, o Centro de Interpretação do Ambiente e da Paisagem (CIAP), uma cafetaria (ambos aparentemente encerrados?) e estrados de solário, distribuídos por 14 ha.

Parque Ribeirinho 7

A sua construção permitiu reabilitar uma antiga zona industrial de depósitos de areia, tendo sido utilizadas paletes recicladas e pneus velhos para construir alguns dos espaços e equipamentos, sendo a iluminação assegurada com electricidade totalmente produzida a partir de painéis fotovoltaicos.

Parque Ribeirinho 8

É um espaço que ainda está em desenvolvimento, como facilmente se percebe pelo tamanho das árvores ali existentes, porém já denota alguns sinais de degradação, nomeadamente candeeiros partidos e equipamentos vandalizados pelos “bandalhos dos riscos”. Um problema que a edilidade Vila Franquense tem de abordar sem demora de forma a não permitir que o “deixa andar” se instale!

Daqui continuo pelo Trilho da Póvoa até à zona mais a Sul deste magnífico local, o Parque Urbano da Póvoa de Santa Iria idealizado pelo Arqº Paisagista Sidónio Pardal.

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Ocupa uma área de cerca de 7 ha e engloba zonas verdes e de lazer, o Núcleo Museológico “A Póvoa e o Rio”, cafetaria, arrecadações e o cais de apoio à pesca dirigido à comunidade avieira, um parque infantil e juvenil, anfiteatro ao ar livre e zona desportiva e de manutenção. Ao contrário do local anterior, aqui as infraestruturas estão cuidadas e em utilização, talvez devido à proximidade da malha urbana.

Parque Ribeirinho 10

Vistas amplas e espectaculares, contacto com a natureza, biodiversidade, belos locais de estadia e muita tranquilidade justificam o prémio referido no início desta crónica. O projecto do Parque Linear do Estuário do Tejo foi desenvolvido pela equipa do atelier Topiaris, coordenado pelo Arqº Paisagista Luís Paulo Ribeiro, e a sua construção implicou o investimento público de 6,5 milhões de euros (comparticipados em 65 por cento por fundos comunitários). O objetivo que norteou o projecto foi “o de repensar o espaço público num universo complexo de paisagem urbana, industrial, agrícola e natural, sedimentado nas características naturais e culturais da paisagem, promovendo a protecção dos sistemas naturais e a regeneração ecológica das áreas degradadas. Faz também parte de uma intervenção mais ampla de requalificação da zona ribeirinha sul do concelho de Vila Franca de Xira, abrangendo as localidades de Alverca, Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria. Preconiza o aproveitamento dos recursos naturais já existentes no sentido de potenciar a fruição por parte da população, assumindo-se como uma infraestrutura estratégica em termos de recreio e lazer.”

O Parque Ribeirinho do Estuário do Tejo proporciona tudo o acima mencionado (e muito mais) a todos os que se dignarem visitá-lo, seja para uma simples caminhada, uma corrida ou um passeio de bicicleta. E tenho para mim que quanto mais o divulgarmos, mais contribuímos para a sua conservação e preservação. A não perder!

pre tejo

Características do percurso – piso: misto (alcatrão, terra batida e calçada); distância total – 6,1 km; distâncias parciais: Trilho da Estação – 1,5 km; Trilho da Verdelha – 1,95 km; Trilho do Forte da Casa – 1,3 km; Trilho do Tejo – 0,7 km; Trilho da Póvoa – 0,63 km; água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 1; coordenadas gps do ponto de partida: n38º 53′ 26″, w9º 1′ 58″; ponto de chegada: n38º 51′ 28″, w9º 3′ 37″.

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parque urbano felício loureiro.

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A Zona Especial de Protecção (Z.E.P.) do Palácio Nacional de Queluz foi uma das primeiras a ser criadas a nível nacional (1910) e teve como objectivo garantir a preservação do enquadramento arquitectónico e paisagístico deste histórico conjunto monumental único no nosso país. Promove igualmente um melhor aproveitamento do importante legado que as gerações anteriores nos deixaram, o qual inclui o conjunto urbano entre o Monumento e a estação de Caminhos de Ferro, a Matinha de Queluz, a Ponte Pedrinha (Aqueduto) e a zona florestal da Quinta Nova, bem como a unidade paisagística formada pelas várzeas do Rio Jamor e da Ribeira de Carenque.

O espaço que fui conhecer, o Parque Urbano de Queluz, insere-se nesta zona especial, sendo um local essencial para a qualidade de vida dos Queluzenses e para o equilíbrio ambiental duma cidade em que os espaços verdes escasseiam. Vamos conhecê-lo?

Este parque foi oficialmente inaugurado em 3 de Maio de 1999 e ocupa uma área de 12 ha de relva e zonas de passeios, tendo recebido o nome do vereador Joaquim Felício Loureiro, falecido no final de 1998 e até então residente nas imediações do mesmo. A sua construção foi, no entanto, alvo de várias vicissitudes, tendo servido durante anos como bandeira eleitoral das forças políticas que governaram a edilidade Sintrense. Composto por amplos espaços relvados, um parque infantil, circuito de manutenção, parque de merendas, campo de jogos, uma fonte luminosa e uma linha de água natural, o parque complementa os vizinhos Jardins do Palácio Nacional de Queluz e a Quinta Nova. O plano inicial previa a sua extensão pelo vale do rio Jamor até à freguesia de Belas, o que até à data não se verificou, apesar dos melhoramentos que foram sendo realizados.

nora

Embora não seja extenso, o percurso ao longo deste espaço verde é variado e interessante pela forma como convive com o património histórico, tendo começado no sentido Sul – Norte pelo caminho paralelo ao rio Jamor que ali corre emparedado. Nos primeiros metros pode ver-se uma antiga nora, testemunho de uma época em que a corrente do rio era aproveitada para uma qualquer actividade produtiva.

jp croft

Mais adiante, implantada no amplo relvado do lado esquerdo podemos ver a escultura sem nome de José Pedro Croft, composta por um conjunto de quatro volumes geométricos – três dos quais na forma de uma casa simplificada, o quarto semelhante a um telhado de duas águas – inspirados nas estufas do Jardim Botânico da Tapada da Ajuda -, pela qual foi duplamente distinguido em 2001 com o Prémio Nacional de Arte Pública e o Prémio EDP.ARTE para a categoria de desenho.

Prosseguindo pelo caminho central chego ao próximo local histórico deste parque e um dos ex-libris de Queluz, o Aqueduto da Gargantada, uma obra de finais do século XVIII que, inserindo-se no gigantesco complexo do Aqueduto das Águas Livres, teve como missão canalizar a água para o palácio real.

aqueduto antigo

A sua construção, em 1790, ficou a dever-se à iniciativa do rei D. João VI, e foi possibilitada pela doação ao monarca da nascente da Gargantada, até então na posse de José Justino Álvares, pequeno proprietário rural da zona de Carenque. Um ano após o arranque do estaleiro estava concluído o troço entre a nascente e a ponte de cima de Carenque e, em 1794, a água chegava finalmente ao palácio onde entroncava com um complexo sistema de abastecimento às várias secções do conjunto. Uma parte substancial do precioso líquido ficou disponível para o público, através das Fontes das Quatro Bicas (desaparecida na década de 50 do século XX) e dos Namorados e, ainda, do Chafariz das Carrancas. Outra parcela era directamente enviada para a Real Quinta, onde era utilizada na rega, e existiam numerosos outros ramais que levavam água às cozinhas e demais dependências de apoio ao palácio.

aqued1

Embora com assinalável impacto monumental, construtivamente é uma obra relativamente modesta (distante qualitativamente do Aqueduto das Águas Livres), com recurso sistemático ao arco de volta perfeita, visíveis nos troços à superfície. Porém, a maior parte da estrutura não possui esta solução arquitectónica e encontra-se semi-enterrada no solo. Na actualidade, existem duas secções distintas do aqueduto. A primeira, certamente a mais antiga, localiza-se entre a linha de caminho de ferro (Lisboa – Sintra) e a estrada que leva à ponte de Carenque, tendo sido integrada na paisagem urbana, radicalmente transformada nas últimas décadas. A segunda localiza-se já no caminho para o palácio e, apesar de se encontrar em relativo bom estado de conservação, possui anexas múltiplas construções, o que levou a que algumas parcelas tenham sido integradas nas áreas ajardinadas das urbanizações que o foram “engolindo”.

p ped

Continuo pelo Largo Ponte Pedrinha, onde aproveito para beber um pouco de água no Chafariz integrado no pilar de um dos arcos do aqueduto, e prossigo pela R. Dr Manuel de Arriaga para voltar a entrar no parque um pouco adiante junto ao jardim infantil. Segue-se uma zona com aparelhos de manutenção e outra de estadia com bancos e mesas e, de seguida, cruzo o Jamor para continuar este percurso na zona contígua ao palácio.

pergola

Atravessada a Av. Engº Duarte Pacheco entro na zona mais recente do Parque Urbano, a qual é delimitada pela EN117 e o muro do palácio. Desenvolve-se num plano desnivelado no cimo do qual existe uma pérgola que proporciona uma vista abrangente sobre todo o espaço. Prossigo pelo caminho paralelo às cocheiras e armazéns do palácio e detenho-me no ponto mais alto para apreciar as vistas. Continuo pela esquerda numa zona de pinhal, pela qual se entra num vasto terreno que confina com as traseiras do jardim do palácio, no qual fui percorrer o perímetro que se desenvolve ao longo de 1,4 km. Após retornar ao percurso principal desci até à avenida que tinha atravessado minutos antes, regressando assim ao ponto de partida.

A impressão com que fiquei do Parque Urbano de Queluz foi bastante positiva, apesar dos sinais de degradação/vandalismo que se começam a fazer notar. Inserido numa das áreas mais antigas e características da jovem cidade, conjuga a actual realidade urbana com a forte identidade histórica desta zona protegida.

Cumpre igualmente uma importante função social pelos momentos de lazer e de encontro com a natureza que proporciona aos utentes, que contrasta, pela positiva, com a densificação e monotonia das zonas urbanas mais recentes de Queluz. Um bom exemplo que deveria ser seguido por outras autarquias ou municípios.

gráficos

Características do percurso – piso: misto (alcatrão, calçada e terra batida); distâncias: perímetro parque urbano – 2,4 kmterreno anexo – 1,4 km; água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade (1 a 5): 2 coordenadas gps do ponto inicial/final: n38º 44.58′, w9º 15.11′.