pedestrianismo

13ª Marcha dos Fortes

Marcha dos Fortes. 14 de outubro, 7h00 da manhã, torreão sul do Convento de Mafra. O “Magnânimo”, Sua Majestade El-Rei D. João V, madrugou para receber e dar a partida aos 450 participantes da 13ª edição da Marcha dos Fortes.

Pela frente um novo percurso circular com 43 km de extensão, que percorreu o núcleo mais a sul da 2ª Linha Defensiva, cruzando o território desde as alturas da Tapada de Mafra até à faixa atlântica, e na qual estão integrados os fortes do Juncal, de São Julião e do Zambujal.

Estas três fortificações testemunham a importância desta área onde foram construídos um grande conjunto de redutos, formando inicialmente a esquerda da Linha defensiva. Os trabalhos em Mafra desenvolveram-se entre fevereiro e outubro de 1810, estando todos os fortes edificados aquando da 3ª Invasão Francesa.

Desta vez integrei a equipa do clube organizador – o CAAL -, a qual teve por objectivo criar as condições no terreno para que esta extensa jornada decorresse, na medida do possível, sem incidências de maior, o que foi amplamente conseguido. Orientar, cuidar e alimentar um grupo com a dimensão do que tivemos no dia 14 foi uma tarefa hercúlea, a qual foi eficazmente desempenhada por um conjunto de quase sete dezenas de (abnegados) voluntários.

No final, nem o cansaço provocado por um dia em que o termómetro registou temperaturas perto dos 30º C, retirou a alegria e a enorme sensação do dever cumprido. A chegada dos “bravos do pelotão” ao Convento foi abrilhantada pela música da Banda Filarmónica de Mafra, onde nos esperava um merecido jantar no gigantesco Refeitório dos Frades, local perfeito para encerrar a épica 13ª Marcha dos Fortes.

“Nunca uma invasão do Convento foi tão bem sucedida…apenas meio milhar de humanos sem armas e sem alianças bélicas, fingindo que abandonavam, voltaram ao pôr do sol, atrás de banda empolgante e fizeram ceia de pedra com discurso pulpitar. Nem Camões ou Saramago previram o feito, alcançado com pequenos danos colaterais, que os corações foram grandes e os comandantes…imortais! Viva a Mafra dos Fortes.”

Venha a próxima!

Nota: As fotos são de companheiros de jornada e do João Afonso. As palavras que fecham a crónica do amigo João Noronha.

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passadiços do paiva

A génese dos Passadiços do Paiva remonta a 2011 quando a edilidade de Arouca encarregou o gabinete de engenharia Trimétrica para proceder ao estudo para a edificação de uma estrutura em madeira na margem esquerda do rio Paiva.

Apesar das reticências iniciais do Instituto da Conservação da Natureza, dado a área em questão estar integrada na Rede Natura 2000, o resultado final do que ali se construiu é uma estrutura leve e arquitectonicamente muito interessante, que aproxima os visitantes da natureza no seu estado mais selvagem, num percurso pelas curvas e contracurvas dos rápidos e das praias do rio.

mapa

Inaugurados a 20 de Junho de 2015 tiveram, na 1ª fase da sua existência, uma inesperada afluência de visitantes que, em vários dias do verão passado, instalaram o caos na pacatez do Areinho e de Espiunca, impreparados para lidar com o impacto provocado por 200.000 visitantes em 2 meses. Foi caso para dizer que nem as populações locais, nem a natureza, estavam preparadas para enfrentar tanta notoriedade e lidar com tamanho sucesso.

Até que, no dia 7 de Setembro, um violento incêndio florestal (cujas marcas são ainda bem visíveis nas encostas de parte do percurso) destruiu perto de 600 m da obra recém construída, o que levou ao encerramento da estrutura até ao passado dia 15 de Fevereiro, data que assinalou o início da segunda vida dos Passadiços do Paiva.zona ardida

Desta vez com regras de utilização bem definidas (número de visitantes diário limitado a 3.500 mediante pré-reserva – 1 euro) e com alguns dos erros iniciais detectados em vias de resolução, nomeadamente no capítulo do trânsito nas zonas de acesso e dos parques de estacionamento que irão pontuar ambas as extremidades do trajecto. Outra novidade desta nova versão é a escadaria que substituiu o troço de 1 km em caminho florestal a partir do extremo do Areinho, a qual veio reforçar a qualidade do percurso proporcionando uma perspectiva mais elevada sobre a envolvente.

A visita que efectuei recentemente (num dia de semana) para conhecer o percurso na vertente de ida-e-volta validou todas as expectativas que tinha relativas ao mesmo. É de uma beleza ímpar e fantasticamente enquadrado na paisagem, um feliz diálogo com a natureza, a morfologia e as vistas panorâmicas que o local proporciona.

vista geral

Iniciei o percurso pelo acesso da Espiunca e, ao longo dos 8.645 m que conduzem ao Areinho, “lava-se a vista e apazigua-se a alma” com a beleza e a tranquilidade que toda a envolvente natural proporcionam. Inserido no fundo de desfiladeiros de vertentes abruptas, o Paiva tanto corre revolto nas zonas dos vários rápidos que encontra ao longo do seu curso, como a seguir surpreende pela calma com que corre nas zonas mais baixas.

Podemos também apreciar a enorme bio e geodiversidade que o local alberga, a qual vai sendo identificada nos vários paineis informativos existentes em diversos pontos. Os primeiros locais de paragem obrigatória são os rápidos onde o Paiva corre revolto, primeiro os dos 3 Saltinhos e, um pouco mais adiante, os do Salto.

rapidos

Passados estes locais o rio acalma, correndo num leve murmúrio na bonita praia fluvial do Vau, um tranquilo local de estadia cujas grandes atrações são a ponte suspensa e a cascata que serra abaixo ali encontra o seu final.

vau

O grande obstáculo neste sentido aparece ao km 5,6 sob a forma de uma imponente escadaria, que só se vence após galgarmos 454 degraus e um desnível de 145 metros, mas que do topo nos recompensa com uma espectacular panorâmica da garganta do Paiva e da cascata das Aguieiras.

agueiras

Depois é seguir em direcção ao Areinho, descendo a fraga pelos 580 degraus da nova escadaria que substituiu o antigo troço florestal, finda a qual se chega à ponte de Alvarenga. Cruzada a estrada R326-1 restam percorrer cerca de novecentos metros até à praia fluvial do Areinho, o ponto final (ou inicial, conforme opção) dos Passadiços do Paiva.

areinho

Directamente para o topo das maravilhas naturais de Portugal!

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Características do percurso – piso: madeira e terra batida; distância: 8,6 km; retorno: opcional; água: não; estacionamento: fácil (dias de semana e fora de época); grau de dificuldade (1 a 5): 3,5; coordenadas gps do ponto inicial/final: Espiunca N 40°59’34.67″, W 8°12’41.19″; Areinho N 40°57’9.68″, W 8°10’33.05″; altimetria:

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Notas finais: No dia em que visitei os PdP estiveram no mesmo apenas cerca de 100 pessoas, o que proporcionou uma jornada muito tranquila que permitiu desfrutar na plenitude tudo o que o local tem para oferecer. Porém, o fim de semana fora muito complicado, com o número de visitantes a aproximar-se do limite máximo permitido. Esse facto originou, desde logo, dois problemas: dificuldades de circulação nos passadiços e trânsito/estacionamento caóticos. No caso de uma emergência (tal como um incêndio florestal ou acidente) será muito difícil aos meios de socorro chegarem ao local, numa altura em que o Verão se aproxima e, com ele, a previsão de uma enorme afluência de visitantes.

Apesar do problema do estacionamento estar identificado não se vislumbram trabalhos tendentes a resolver o mesmo, o que é de estranhar dado que os Passadiços do Paiva concorrem ao galardão “World Travel Awards 2016” na categoria “Europe´s Leading Tourism Development Project“. No entanto acredito que a autarquia de Arouca esteja em vias de resolver o assunto.

Por último algumas recomendações úteis. Prepare antecipadamente a visita e utilize equipamento confortável e adequado à época do ano. Apesar do piso ser maioritariamente em madeira, existem algumas zonas de terra batida, pelo que chinelos ou sapatos normais são péssimas opções. Chapéu e protector solar também são aconselháveis, dado o percurso estar muito exposto ao sol e ter poucas zonas protegidas. Leve uma mochila com água e um lanche, sempre são entre duas a três horas de caminhada e, já agora, o fato-de-banho para um mergulho nas águas cristalinas da praia do Vau. Para os que pretendam fazer o percurso de ida-e-volta confirmo que o sentido Areinho – Espiunca é um pouco mais fácil.

Os espectaculares e imperdíveis Passadiços do Paiva esperam por si. Aventure-se!

arouca geopark