percursos

trail das fontes de caneças

Foi do jardim no Largo Vieira Caldas – D. Francisco Vieira Caldas, Visconde de Caneças e fidalgo da coroa portuguesa na segunda metade do século XIX – que partiu e chegou o 1º Trail das Fontes de Caneças.

O nome desta prova derivou das várias fontes existentes na vila, ou nas suas imediações, e pelas quais o percurso passou (ou era suposto passar). No entanto não me lembro de ver nenhuma, provavelmente estava demasiado focado na prova…

Caso tivesse estado atento teria visto as fontes das Fontainhas, das Piçarras (ou de Sto António), de Castelo de Vide, dos Passarinhos e dos Castanheiros, monumentos de uma localidade cuja história se confunde com a epopeia do abastecimento de água à cidade de Lisboa.

Posso não ter visto as fontes mas, para compensar, não me esqueço da “parede” que escalei até ao alto da Pena sob um calor abrasador. Porém, nem a dureza do percurso, nem o calor que se fez sentir – concluí os 13,1 km em 1h48 -, retiraram o prazer de fazer esta prova de cariz solidário, em que o valor das inscrições reverteu na totalidade para os B.V. locais.

Fica assim completo o 1º semestre de provas que foi maioritariamente dedicado às corridas na natureza, as quais entraram em definitivo para o meu calendário anual.

13ª Marcha dos Fortes

Marcha dos Fortes. 14 de outubro, 7h00 da manhã, torreão sul do Convento de Mafra. O “Magnânimo”, Sua Majestade El-Rei D. João V, madrugou para receber e dar a partida aos 450 participantes da 13ª edição da Marcha dos Fortes.

Pela frente um novo percurso circular com 43 km de extensão, que percorreu o núcleo mais a sul da 2ª Linha Defensiva, cruzando o território desde as alturas da Tapada de Mafra até à faixa atlântica, e na qual estão integrados os fortes do Juncal, de São Julião e do Zambujal.

Estas três fortificações testemunham a importância desta área onde foram construídos um grande conjunto de redutos, formando inicialmente a esquerda da Linha defensiva. Os trabalhos em Mafra desenvolveram-se entre fevereiro e outubro de 1810, estando todos os fortes edificados aquando da 3ª Invasão Francesa.

Desta vez integrei a equipa do clube organizador – o CAAL -, a qual teve por objectivo criar as condições no terreno para que esta extensa jornada decorresse, na medida do possível, sem incidências de maior, o que foi amplamente conseguido. Orientar, cuidar e alimentar um grupo com a dimensão do que tivemos no dia 14 foi uma tarefa hercúlea, a qual foi eficazmente desempenhada por um conjunto de quase sete dezenas de (abnegados) voluntários.

No final, nem o cansaço provocado por um dia em que o termómetro registou temperaturas perto dos 30º C, retirou a alegria e a enorme sensação do dever cumprido. A chegada dos “bravos do pelotão” ao Convento foi abrilhantada pela música da Banda Filarmónica de Mafra, onde nos esperava um merecido jantar no gigantesco Refeitório dos Frades, local perfeito para encerrar a épica 13ª Marcha dos Fortes.

“Nunca uma invasão do Convento foi tão bem sucedida…apenas meio milhar de humanos sem armas e sem alianças bélicas, fingindo que abandonavam, voltaram ao pôr do sol, atrás de banda empolgante e fizeram ceia de pedra com discurso pulpitar. Nem Camões ou Saramago previram o feito, alcançado com pequenos danos colaterais, que os corações foram grandes e os comandantes…imortais! Viva a Mafra dos Fortes.”

Venha a próxima!

Nota: As fotos são de companheiros de jornada e do João Afonso. As palavras que fecham a crónica do amigo João Noronha.