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#6.16. trail sintra montanha mágica

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Cinco longos anos. Este foi o hiato temporal que marcou a minha ausência de provas de trail. Porém, a altura de uma mudança de cenário, e de voltar a calçar sapatilhas cardadas, chegara.

Analisadas as várias possibilidades (e atendendo a que não queria nada de radical) optei pelo Sintra Magic Mountain Trail, uma prova muito publicitada que deixou bastante gente curiosa (eu incluído). Com três distâncias à escolha (12, 23 e 55 km +/-), inscrevi-me na distância intermédia pois o tempo disponível para a cumprir (6 horas) pareceu-me mais do que suficiente.

Domingo, 29 de Maio, 08h30. Largo do Palácio da Vila. Equipado a rigor (exigências do regulamento) e “descansadinho da Silva” (a falta de empenho treino tem sido notória), iniciei a prova na segunda metade do extenso pelotão que ultrapassou a barreira do milhar de participantes.

Sabendo que tinha pela frente 27 km+ (afinal não foram os 22 km inicialmente anunciados, nem os 26 km posteriormente confirmados!), a táctica escolhida foi caminhar rápido nas subidas e, sempre que possível, correr nas zonas planas e nas descidas. O ritmo era a menor das minhas preocupações, dado só existir um controle de tempo aos 15 km e, para lá chegar, a organização permitia umas generosas 3h30.

Mesmo à medida da prova que me propunha fazer pelos mais belos locais da Serra de Sintra com passagem por alguns dos seus mais emblemáticos monumentos (tal como prometido pela organização).

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Enquanto participante no trail só tenho aspectos positivos a apontar. A organização cumpriu o que prometeu, tendo o evento decorrido, em termos organizativos, num nível elevado.

Realizar uma prova na habitualmente lotada vila de Sintra, ainda para mais num domingo de sol e com temperaturas amenas, não é tarefa para amadores. Um evento daquela dimensão requereu uma enorme coordenação entre o promotor, a sociedade gestora dos parques, os voluntários e as forças de segurança presentes no terreno. O resultado foi um conjunto de provas que superaram a expectativa da esmagadora maioria dos participantes, apesar de alguns pormenores a necessitarem de ser revistos em futuras edições. Porém, realisticamente e tudo considerado, os aspectos menos conseguidos não comprometeram a qualidade geral do evento.

O percurso de 27 km pelos locais que fazem de Sintra e da sua serra um dos ex-libris do turismo nacional teve tanto de belo como de difícil. Correr nos jardins da Quinta da Regaleira, do parque do Palácio da Pena, do Chalet da Condessa D´Edla, do Convento dos Capuchos, do Palácio de Monserrate, passar pelo Penedo da Amizade, por si só justificaram o custo de participação na prova.

Com mais de 20 km percorridos por locais e vistas deslumbrantes, a subida à Cruz Alta e ao Castelo dos Mouros completou o espectacular cenário anteriormente desfrutado, em que a beleza da paisagem ajudou a mitigar o cansaço acumulado. Para finalizar foi “só” descer as escadas que atravessam a Vila Sassetti e conduzem ao coração da vila para, finalmente, cruzar a linha de chegada 4h07m após dali ter partido.

O regresso às provas de trail deixou-me cansado… mas muito satisfeito! A ponto de, no dia 19 de Junho, ter nova dose agendada para a Great Douro Vineyard Run que promete ser bem regada…

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2016

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passadiços do paiva

A génese dos Passadiços do Paiva remonta a 2011 quando a edilidade de Arouca encarregou o gabinete de engenharia Trimétrica para proceder ao estudo para a edificação de uma estrutura em madeira na margem esquerda do rio Paiva.

Apesar das reticências iniciais do Instituto da Conservação da Natureza, dado a área em questão estar integrada na Rede Natura 2000, o resultado final do que ali se construiu é uma estrutura leve e arquitectonicamente muito interessante, que aproxima os visitantes da natureza no seu estado mais selvagem, num percurso pelas curvas e contracurvas dos rápidos e das praias do rio.

mapa

Inaugurados a 20 de Junho de 2015 tiveram, na 1ª fase da sua existência, uma inesperada afluência de visitantes que, em vários dias do verão passado, instalaram o caos na pacatez do Areinho e de Espiunca, impreparados para lidar com o impacto provocado por 200.000 visitantes em 2 meses. Foi caso para dizer que nem as populações locais, nem a natureza, estavam preparadas para enfrentar tanta notoriedade e lidar com tamanho sucesso.

Até que, no dia 7 de Setembro, um violento incêndio florestal (cujas marcas são ainda bem visíveis nas encostas de parte do percurso) destruiu perto de 600 m da obra recém construída, o que levou ao encerramento da estrutura até ao passado dia 15 de Fevereiro, data que assinalou o início da segunda vida dos Passadiços do Paiva.zona ardida

Desta vez com regras de utilização bem definidas (número de visitantes diário limitado a 3.500 mediante pré-reserva – 1 euro) e com alguns dos erros iniciais detectados em vias de resolução, nomeadamente no capítulo do trânsito nas zonas de acesso e dos parques de estacionamento que irão pontuar ambas as extremidades do trajecto. Outra novidade desta nova versão é a escadaria que substituiu o troço de 1 km em caminho florestal a partir do extremo do Areinho, a qual veio reforçar a qualidade do percurso proporcionando uma perspectiva mais elevada sobre a envolvente.

A visita que efectuei recentemente (num dia de semana) para conhecer o percurso na vertente de ida-e-volta validou todas as expectativas que tinha relativas ao mesmo. É de uma beleza ímpar e fantasticamente enquadrado na paisagem, um feliz diálogo com a natureza, a morfologia e as vistas panorâmicas que o local proporciona.

vista geral

Iniciei o percurso pelo acesso da Espiunca e, ao longo dos 8.645 m que conduzem ao Areinho, “lava-se a vista e apazigua-se a alma” com a beleza e a tranquilidade que toda a envolvente natural proporcionam. Inserido no fundo de desfiladeiros de vertentes abruptas, o Paiva tanto corre revolto nas zonas dos vários rápidos que encontra ao longo do seu curso, como a seguir surpreende pela calma com que corre nas zonas mais baixas.

Podemos também apreciar a enorme bio e geodiversidade que o local alberga, a qual vai sendo identificada nos vários paineis informativos existentes em diversos pontos. Os primeiros locais de paragem obrigatória são os rápidos onde o Paiva corre revolto, primeiro os dos 3 Saltinhos e, um pouco mais adiante, os do Salto.

rapidos

Passados estes locais o rio acalma, correndo num leve murmúrio na bonita praia fluvial do Vau, um tranquilo local de estadia cujas grandes atrações são a ponte suspensa e a cascata que serra abaixo ali encontra o seu final.

vau

O grande obstáculo neste sentido aparece ao km 5,6 sob a forma de uma imponente escadaria, que só se vence após galgarmos 454 degraus e um desnível de 145 metros, mas que do topo nos recompensa com uma espectacular panorâmica da garganta do Paiva e da cascata das Aguieiras.

agueiras

Depois é seguir em direcção ao Areinho, descendo a fraga pelos 580 degraus da nova escadaria que substituiu o antigo troço florestal, finda a qual se chega à ponte de Alvarenga. Cruzada a estrada R326-1 restam percorrer cerca de novecentos metros até à praia fluvial do Areinho, o ponto final (ou inicial, conforme opção) dos Passadiços do Paiva.

areinho

Directamente para o topo das maravilhas naturais de Portugal!

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Características do percurso – piso: madeira e terra batida; distância: 8,6 km; retorno: opcional; água: não; estacionamento: fácil (dias de semana e fora de época); grau de dificuldade (1 a 5): 3,5; coordenadas gps do ponto inicial/final: Espiunca N 40°59’34.67″, W 8°12’41.19″; Areinho N 40°57’9.68″, W 8°10’33.05″; altimetria:

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Notas finais: No dia em que visitei os PdP estiveram no mesmo apenas cerca de 100 pessoas, o que proporcionou uma jornada muito tranquila que permitiu desfrutar na plenitude tudo o que o local tem para oferecer. Porém, o fim de semana fora muito complicado, com o número de visitantes a aproximar-se do limite máximo permitido. Esse facto originou, desde logo, dois problemas: dificuldades de circulação nos passadiços e trânsito/estacionamento caóticos. No caso de uma emergência (tal como um incêndio florestal ou acidente) será muito difícil aos meios de socorro chegarem ao local, numa altura em que o Verão se aproxima e, com ele, a previsão de uma enorme afluência de visitantes.

Apesar do problema do estacionamento estar identificado não se vislumbram trabalhos tendentes a resolver o mesmo, o que é de estranhar dado que os Passadiços do Paiva concorrem ao galardão “World Travel Awards 2016” na categoria “Europe´s Leading Tourism Development Project“. No entanto acredito que a autarquia de Arouca esteja em vias de resolver o assunto.

Por último algumas recomendações úteis. Prepare antecipadamente a visita e utilize equipamento confortável e adequado à época do ano. Apesar do piso ser maioritariamente em madeira, existem algumas zonas de terra batida, pelo que chinelos ou sapatos normais são péssimas opções. Chapéu e protector solar também são aconselháveis, dado o percurso estar muito exposto ao sol e ter poucas zonas protegidas. Leve uma mochila com água e um lanche, sempre são entre duas a três horas de caminhada e, já agora, o fato-de-banho para um mergulho nas águas cristalinas da praia do Vau. Para os que pretendam fazer o percurso de ida-e-volta confirmo que o sentido Areinho – Espiunca é um pouco mais fácil.

Os espectaculares e imperdíveis Passadiços do Paiva esperam por si. Aventure-se!

arouca geopark