trilogia

duarte pacheco. epílogo.

duarte pacheco foi claramente um homem para além do seu tempo. como político contornou com mestria o status quo vigente nas décadas de 20 e 30 do século passado, tendo a capacidade de decidir e de fazer executar obras, de acordo com a sua perspectiva de desenvolvimento e de modernidade, de que portugal tanto carecia.

existiram aspectos criticáveis em algumas das decisões que tomou (nomeadamente as que aconteceram na cidade de coimbra), mas o todo da sua obra resultou num imenso legado do qual muitas gerações vieram a beneficiar.

lisboa seria certamente uma cidade muito diferente se o seu destino não tivesse, a seu tempo, sido tomado nas mãos do engenheiro electrotécnico (e não civil como seria de supor), duarte pacheco.

em loulé, no monumento que na sua cidade natal homenageia o estadista, reza assim o seu epitáfio:

” uma vida velozmente vivida e inteiramente consagrada ao progresso pátrio.”

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a marginal.

a en6, mais conhecida por marginal, liga lisboa a cascais, num percurso à beira do rio tejo e do oceano atlântico. planeada e iniciada a construção em finais dos anos 30 e inaugurada ao longo da década seguinte, foi uma das obras lançadas por duarte pacheco e que rapidamente se converteu num dos eixos rodoviários mais conhecido de portugal. ironicamente foi uma obra em que o seu mentor não assistiu à sua integral conclusão, dado ter morrido no hospital de setúbal a 16 de novembro de 1943, na sequência dos ferimentos sofridos no violento acidente de viação ocorrido no dia anterior na cova do lagarto, na estrada que liga montemor-o-novo a vendas novas.

durante a década de 80 a marginal carregou o estigma de ‘estrada da morte’, em virtude do elevado número de acidentes mortais que nela ocorreram. hoje, decorridos quase 70 anos da sua existência, apresenta-se mais ordenada e segura do que nunca, resultado das várias intervenções que foram sendo introduzidas ao longo dos últimos anos, não só na via propriamente dita, mas também nos espaços públicos, nomeadamente praias, passeios e jardins que com ela coexistem.

tem sido igualmente notório o esforço que as c.m. de cascais e oeiras têm realizado, no sentido de devolver a frente marítima para usufruto dos seus munícipes e visitantes, através do ordenamento, recuperação e construção dos passeios marítimos e acessos às diversas praias ao longo da en6. como consequência, é frequente assistirmos à realização de vários eventos desportivos na mesma, sendo, no que ao atletismo diz respeito, o palco da realização de algumas provas de créditos firmados, entre elas a marginal à noite e a corrida do tejo.

também para mim é um local de treino frequente, dado proporcionar uma série de percursos, dos mais curtos aos mais longos. começando pelos últimos, o meu treino longo é feito percorrendo toda a extensão da marginal entre cascais e algés ou vice-versa. hoje é possível fazer mais de 1/3 deste percurso utilizando o passeio marítimo, sendo que, nos locais onde ele não existe, podemos correr em segurança nos passeios que acompanham a estrada. nos treinos de distância intermédia, corro entre a estação da cruz quebrada e a marina de oeiras (14 kms) ou da cruz quebrada até à praia de carcavelos (17 km), retorno incluído.

características do percurso – piso: duro; distância total: 21 km; retorno: opcional; água: sim; estacionamento: fácil; grau de dificuldade ( 1 a 5 ): 2; altimetria do percurso: gráfico abaixo.