10 km

cursa diagonal. #4.19

Ildefons Cerdà i Sunyer (1815 – 1876) foi um engenheiro urbanista e político catalão responsável pelo plano de extensão e reforma (Plan de Ensanche) da cidade de Barcelona.

Durante a década de 1850 Cerdà iniciou os estudos sobre a cidade tendo em vista a sua extensão. Esta estava limitada pelas antigas muralhas que, perdida a função de proteção, impediam então o crescimento da urbe.

Em 1854 é tomada a decisão de as derrubar, abrindo o caminho para a transformação da cidade pelo aumento da sua área total, fornecendo uma alternativa mais ordenada de ruas e quarteirões em comparação à confusa trama do centro histórico de então. A contenção da cidade nestes limites havia aumentado grandemente sua densidade e criado problemas de comunicação com o exterior.

A base do plano foi um sistema de vias e quarteirões que se poderiam estender indefinidamente, à medida que a cidade fosse crescendo. Cerdà criou uma hierarquia viária onde pequenas ruas “desaguavam” em ruas maiores que por sua vez “desaguavam” em grandes avenidas. Para explicar este conceito hierárquico utilizou a analogia de pequenos rios desaguando em rios cada vez maiores e mais largos, num plano conhecido principalmente pela representação gráfica da sua retícula característica.

Apresentou um sistema pormenorizado que distribuía parques, indústria, comércio e residências de forma equilibrada. As avenidas principais formam estruturas que coordenam a expansão dos quarteirões, idealizados como espaços abertos que permitiam um maior fluxo de pessoas e de ar pela cidade, que poderiam ser complementados por áreas verdes.

O Plan de Ensanche foi submetido a concurso em 1859 e aprovado em maio de 1860, o qual contemplou a construção da Avinguda Diagonal, a artéria que recebe a Cursa Diagonal da cidade Condal e na qual participei na 7ª edição.

Uma das vias principais da cidade, com uma largura constante de 50 m e 11 km de comprimento, tem em quase toda a sua extensão um passeio central para peões. Começa no Distrito de Sant Martí, à beira mar, e cruza diagonalmente a cidade na direcção de Lérida e Madrid, terminando na Ronda de Dalt. Intersecta a Avinguda Meridiana na Plaza de las Glorias Catalanas, cortando obliquamente a quadrícula do bairro de Eixample.

Esta prova faz o percurso inverso ligando a montanha ao mar, ou seja, começa no Palau Reial de Pedralbes e termina no Passeig Garcia Faria frente ao mar. É uma das três provas de 10 km mais participadas da cidade – Bombers, La Mercè e Diagonal – e com um percurso muito favorável em termos de desnível.

Bem organizada e com um percurso cheio de pontos de interesse, numa cidade que é um museu ao ar livre, resumem a Cursa Diagonal DiR Guardia Urbana que na 7ª edição registou mais de cinco milhares de participantes à chegada.

De puta madre!

cfa 19. marinha. #1.19

Demorou 4 anos mas hoje corri na Base Naval do Alfeite para, finalmente, completar o “meu” Circuito das Forças Armadas.

Uma das propriedades preferidas do rei D. Carlos era bem próxima da cidade de Lisboa. Situava-se à beira da margem Sul do rio Tejo e estendia-se por 300 ha entre Cacilhas e o Seixal, desde o Caramujo e Romeira até à Ponta dos Corvos. Conhecida como Palácio e Quinta Real do Alfeite, sempre que o monarca-oceanógrafo desembarcava de galeota naquele cais ficava radiante ou, melhor dizendo, nas “sete quintas”.

Naquela extensa propriedade instalava-se no palácio construído em 1758 e posteriormente recuperado em 1849 a mando de D. Estefânia – mulher de D. Pedro V – numa obra projectada pelo arquitecto Possidónio da Silva. Dedicava os seus dias à escrita, aos passeios e às caçadas e, como não podia ficar mais bem instalado, a expressão “sete quintas” perdurou.

Com a implantação da República, em 1910, mudaram os destinos da propriedade. Em Junho de 1918 foi entregue à Junta Autónoma do Arsenal do Alfeite pela Direcção-Geral da Fazenda Pública (o ministério das Finanças da altura). Num futuro a médio prazo seria criada uma base naval, o que sucedeu em 1958, uma vez que até então os barcos estavam amarrados a bóias em frente ao Terreiro do Paço.

Este local repleto de história acolheu o reduzido pelotão – 288 classificados – da 1ª etapa da edição de 2019 do CFA, dupla volta de 5 km pelos terrenos da base e com alguma dificuldade decorrente dos vários desníveis que se sucediam. No geral um evento bem organizado que permitiu conhecer um pouco do interior desta instalação militar.

Termino dedicando esta corrida a José Arruda, alguém que sempre admirei pelo exemplo de determinação e querer que demonstrava nas inúmeras provas em que coincidimos. O pelotão ficou mais pobre, mas o exemplo perdurará para sempre. Que descanse em paz.

arruda